Washington, 01 (AE-AP) - O governo norte-americano reconheceu que a divulgação de documentos secretos sobre o golpe militar ocorrido no Chile em 1973 resultou das pressões daqueles que desejam a continuidade do processo de extradição contra o ex-presidente Augusto Pinochet em Londres. Os documentos foram divulgados seis meses depois do presidente Bill Clinton ter prometido abrir os arquivos dos Estados Unidos sobre o ex-ditador. "Este é um caso especial que veio a atender interesses do Congresso e de outras esferas", disse o porta-voz do Departamento de Estado, James Foley. Legisladores e ativistas solicitaram publicamente em 7 de dezembro que a Casa Branca abrisse seus arquivos sobre o assunto. No entanto, para o jornal Washington Post "não parece que os documentos possam ser úteis ao processo de extradição de Pinochet" - solicitado pela Espanha na corte inglesa. "Os documentos contém essencialmente informes do serviço de inteligência que pouco acrescentam ao que já havia sido exposto nas investigações parlamentares da época", afirma a edição de hoje (01) do Washington Post. Os documentos não incluem a possível participação de Pinochet no assassinato do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, em Washington. Ontem (30), o porta-voz da Casa Branca, John Lockhart, justificou tal fato dizendo que as investigações desse caso continuam. "O processo secreto prima sobre outras considerações uma vez que o Departamento de Justiça ainda não concluiu suas investigações", afirmou. O julgamento de Pinochet em Londres está marcado para setembro. A Espanha solicitou sua extradição para que o ex-ditador responda pelas acusações de desaparecimento de diversos espanhóis durante seu regime. Os documentos revelados indicam que no período de 1973 a 1978 pelo menos três mil pessoas desapareceram ou foram executadas quando estavam sob a custódia do estado chileno.

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