EUA recebem duro recado do grupo de Cairns Do enviado especial VLADIMIR GOITIA
Buenos Aires, 28 (AE) - O Secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Dan Glickman , recebeu hoje (sabado) um duríssimo recado do Grupo de Cairns, do qual fazem parte os países que dependem substancialmente de suas exportações agrícolas. Convidado para participar da reunião de ministros de agricultura desses países, Glickman escutou do embaixador Jorge Campbell , da Chancelaria Argentina, que o Grupo de Cairns não está mais disposto a esperar uma outra rodada de negociações multilaterais - alem daquela que está próxima a começar - para que a agricultura receba o mesmo tratamento dos produtos industrializados. Campbell se referiu à Rodada do Milênio, que deverá ser lançada durante a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Seattle) EUA.
O recado do ao governo americano, no entanto, não se restringiu apenas a questão geral do setor agrícola. O coordenador do Grupo de Caiens e também Ministro de Comércio da Austrália, Mark Vaile, disse que a medida em que a reunião de Seattle se aproxima, o Grupo de Caiens gostaria de aproximar-se dos EUA e, com isso, garantir o ambicioso mandato para uma reforma no setor agricola mundial. Mas, acrescentou Vaile, "seria menos que honesto não reconhecer que a recente aprovação de um pacote de assistência de US$ 7,65 bilhões, pelo senado norte-americano não seja muito preocupante.
A questão do subsídios concedidos por norte-americanos e europeus serviu ainda com uma espécie de base para intensificar o bombardeio do Grupo de Cairns contra a política agrícola das maiores potências econômicas do planeta. O embaixador Jorge Campbell disse que o Grupo de Cairns não encontra razão legitima alguma para continuar protelando eliminação dos subsídios as exportações agrícolas e a sua posterior proibição.
Tanto Campbell como Vaile citaram números da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. "OCDE", do qual fazem parte as 25 economias mais ricas do mundo, para continuar o seu bombardeio contra os EUA e, por tabela, contra a Europa. De acordo com os números do OCDE, os subsídios concedidos por esses países chegaram a US$ 334 bilhões em 1998, volume que equivalem 110% do PIB argentino. Desse total, US$ 74 bilhões se referem a ajuda concedida pelos EUA ao seu setor agrícola.
De acordo com Campbell, América Latina perdeu mais de US$ 215 bilhões desde 1970 apenas pelo deslocamento de mercado originado pelos subsídios. O embaixador disse ainda que os preços dos principais produtos agrícolas ciaram mais de 35% nos últimos meses, ficando um dos patamares mais baixos dos últimos 25 anos e, em muitos casos, abaixo dos registrados antes de começar a rodada Uruguai do Gatt, em 1986. "Os preços caem porque também recebem o efeito da aplicação dos subsídios à exportação agrícola.





