EUA querem culpar indústrias por não proteger seus produtos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 25 (AE) - O Estado da California (EUA) começou a discutir a possibilidade de culpar os fabricantes por não protegerem seus produtos. Um projeto de lei elaborado por dois promotores daquele Estado norte-americano prevê a co-responsabilidade, por perdas e danos, das indústrias por não informarem ao público de eventuais falsificações e por não diferenciarem seus produtos de um falso.
Os promotores constataram que os altíssimos recursos gastos pelo Estado na investigação e prisão de falsificadores são quase inócuos. Segundo o projeto, o governo da California não deveria dispender recursos públicos para proteger empresas que não investem em segurança de seus produtos, já que não haveria meios de lutar contra máfias instaladas e especializads em fraudes.
O presidente da Papel Salto, Michel Giordani, contou que
inicialmente, houve uma reação negativa das indústrias contra o projeto, já que seria difícil determinar o que "é um produto suficientemente protegido". O projeto de lei, no entanto, não foi arquivado e se encontra em discussão.
Giordani acredita, no entanto, que a proteção de muitos produtos não tem custos tão altos. A Microsoft, por exemplo, gastou US$ 100 mil para colocar um pedaço de papel com marca dagua em seus produtos para evitar a pirataria. "Para uma empresa que enfrenta pirataria atingindo volumes quase absurdos, o gasto em proteção não significa quase nada", disse.
No início do ano passado, uma empresa paulista do setor de vales refeição sofreu um golpe de US$ 300 mil com a falsificação de tiquetes. Temendo sofrer golpes semelhantes e com as mesmas proporções da ocorrida no começo de 1998 , a empresa decidiu investir US$ 50 mil na confecção dos vales com papel de segurança.


