Brasília, 30 (AE) - O governo dos Estados Unidos deseja que o Brasil assuma a liderança na América Latina e junto aos países de língua portuguesa na difusão de medidas para erradicar o chamado "bug do milênio". O presidente do Grupo de Trabalho sobre Diplomacia Pública do Conselho para a Conversão dos Computadores do Ano 2000, Jonathan Spalter, trouxe hoje essa mensagem ao governo brasileiro. Em entrevista, Spalter revelou que o Brasil é considerado pelo governo dos EUA um "top ten" frente ao bug, ou seja, estaria entre as dez nações com sistemas mais sofisticados e que já estão tomando providências para enfrentar o problema.
O "bug do milênio" está sendo esperado na passagem para o ano 2000. Esse fenômeno seria provocado porque os computadores não procederiam a leitura na virada para o ano 2000
por não terem sido fabricados com campos de dígitos necessários. Esse problema poderá causar falhas nos sistemas de água, energia elétrica, combustíveis e outros, em todo o mundo, alertou Spalter, especialista do governo americano que está traçando estratégias para evitar o bug.
Spalter participou esta semana de seminários nas federações de indústrias de São Paulo (Fiesp) e de Minas (Fiemg). Hoje, ele teve encontros com autoridades do governo federal. Spalter afirmou que a Secretaria de Administração Federal tem feito um trabalho que considera muito bom, mas que o Brasil deveria, a partir de agora, assumir o papel de líder na América Latina, até por ser um dos mais adiantados em providências frente ao bug do milênio. "O Brasil pode assumir a liderança não somente no hemisfério, mas também em toda a comunidade de países lusófonos", disse.
Brasil - A estimativa da Secretaria de Administração e do Patrimônio é que mais de 80% dos sistemas de informática do governo federal estejam convertidos e não serão afetados pelo bug. Até o início de agosto, o governo pretende converter todos os sistemas e continuar alertando a iniciativa privada. Segundo Spalter, a solução para combater o bug do milênio é universal. O governo americano, disse ele, está preocupado com as "consequências internacionais" do bug do milênio.
Spalter afirmou que a falha dos sistemas de um porto é suficiente para trazer complicações para quase todos os portos de um mesmo continente, pois há escalas de horários de embarque e desembarque de alimentos e mercadorias. Spalter afirmou que uma falha em um aeroporto de uma cidade também pode trazer complicações que atingiriam as escalas de vôos de outros países. O governo americano, disse ele, está ainda preocupado com sistemas de abastecimento e de telefonia, que podem afetar em cadeia muitos países.
"Imagina se os sistemas caírem e as linhas telefônicas não funcionarem?", indagou ele. Spalter disse que é um equívoco pensar que o bug do milênio atingirá apenas grandes redes de computadores. Ele disse que todos os sistemas que contenham chips de computador serão também afetados, exemplo de elevadores, vídeocassetes e diversos tipos de aparelhos. "O problema não é somente técnico, de computador, mas também de gerenciamento", disse.
Outra grande preocupação do governo americano, assinalou
é com as pequenas e médias cidades. A Secretaria da Administração e do Patrimônio já tem feito reuniões com os secretários de administração nos Estados para alertar sobre o problema. Spalter explicou que ainda falta muito o que fazer para conscientizar pequenos e médios municípios e prefeitos de cidades de médio porte. "Cerca de 98% da economia mundial é sustentada por pequenos e médios empreendimentos e este é o setor mais vulnerável", disse.
Os Estados Unidos, comentou, querem difundir a realização de seminários conjuntos entre os países, reunindo todas as entidades de classe como federações, sindicatos, confederações e órgãos governamentais. Os contatos devem ser feitos também entre as empresas, disse Spalter, já que todos os sistemas de computadores estão atualmente interligados e ficam vulneráveis com possíveis interferências externas. Spalter deixou claro que este é o momento para que os países troquem informações entre si, para evitar o chamado efeito dominó. "É importante pensarem em não resolver apenas os problemas nas nossas fronteiras, mas desenvolver novos mecanismos de cooperação, canais de diplomacia e contatos entre países e empresas", disse.

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