Lima, 05 (AE-AP) - O Departamento de Estado americano declarou hoje (05) que a viabilidade de um novo governo peruano depende da "liberdade, limpeza e transparência" das eleições presidenciais de domingo. Para James Rubin, o porta-voz do departamento, "é essencial para a credibilidade presidencial o respeito aos processos eleitorais, que foram questionados."
A advertência americana foi feita depois que a Organização dos Estados Americanos(OEA) manifestou sua "preocupação" em relação ao clima em que se desenvolve a campanha eleitoral, a partir das dúvidas quanto à legitimidade da candidatura do presidente Alberto Fujimori a um terceiro mandato consecutivo.
O Congresso peruano, controlado por seus aliados, endossou as pretensões presidenciais alegando que a proibição a três mandatos consecutivos foi incluída na Constituição aprovada depois de Fujimori ter sido eleito pela primeira vez.
Entretanto, a discussão em torno das eleições peruanas continua em pauta na OEA. Prova disto é que o tema por sugestão da Comissão de Direitos Humanos dirigida pelo jurista brasileiro Hélio Bicudo já está incluído nas discussões da organização durante sua próxima assembléia geral, que se realizará em junho, no Canadá.
Rubin, por sua vez, reiterou as preocupações de Washington, embora "sem querer prejulgar os resultados da consulta peruana", em relação ao "contínuo dessenvolvimento de fatos inquietantes no processo eleitoral". Ele também renovou o apelo dos EUA para que o governo Fujimori prossiga na investigação das denúncias de falsificação de assinaturas para o registro da candidatura do presidente pelo partido Peru 2000. Rubin pediu ainda ao governo que "permita maior acesso à imprensa por parte dos candidatos de oposição e que cesse os ataques aos líderes políticos e observadores nacionais, além de continuar cooperando com os observadores internacionais."
Diplomatas acreditados em Lima também têm manifestado à imprensa sua preocupação com a situação política "crítica" vivida pelo Peru às vésperas das eleições do próximo domingo. As denúncias que mais vêm preocupando os diplomatas referem-se à "campanha suja" de um setor da imprensa local contra aspirantes presidenciais da oposição, em especial contra Alejandro Toledo, considerado o principal rival de Fujimori.
Mesmo assim, na avaliação dos diretores de empresas de pesquisa cuja divulgação no país está proibida até o dia das eleições , a diferença percentual entre os dois candidatos está se encurtando. Enquanto uma recente simulação da pesquisadora APOYO deu a Fujimori 45% dos votos e 36% a Toledo,a consultoria Analistas e Consultores revelou que Fujimori obteria 42,4% dos votos e Toledo 41,2%, o que corresponderia a um empate técnico.No segundo turno, Toledo obteria 50,2% e Fujimori, 42 3%.
Já o próprio Toledo vem advertindo quanto à ameaça de uma "revolta popular", no caso de uma vitória do atual presidente.
Enquanto isso, prossegue o clima de desconfiança. Logo após a polícia deter duas mulheres que durante um comício de Toledo em Lima, ontem à noite, se exibiram nuas, pintadas com as cores de seu partido, o Peru Possível, e com as iniciais de dois de seus correligionários candidatos ao Congresso, os partidários de Toledo acusaram os governistas de terem infiltrado ambas no comício para desprestigiar o partido.

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