EUA pedem autorização à OMC para taxar produtos europeus
Washington, 14 (AE-AP)- O governo dos Estados Unidos pediu hoje (14) à Organização Mundial do Comércio (OMC) autorização formal para impor tarifas punitivas a US$ 202 milhões em produtos europeus exportados para o mercado norte-americano. A iniciativa é uma resposta de Washington ao veto de Bruxelas à carne bovina produzida nos EUA que, segundo os europeus, pode causar sérios danos à saúde dos consumidores em decorrência do uso de hormônios na criação do gado de corte.
A decisão norte-americana foi anunciada horas depois de terminado o prazo dado pela OMC para que a União Européia suspendesse o bloqueio às importações de carne bovina dos EUA. As vendas do produto norte-americano na UE estão vetadas desde que um estudo preliminar indicou a possibilidade de o produto tratado com hormônios provocar câncer em seres humanos, há dez anos.
Em 1989, último ano de venda do produto na Europa, as exportações norte-americanas de carne bovina para a UE chegaram a US$ 100 milhões. Mais de 90% dos criadores de gado dos EUA usam hormônio na criação.
As sanções deverão dobrar os preços de produtos agrícolas de procedência européia, entre eles o presunto dinamarquês em lata, outros derivados de carne suína, aves e tomate, além de queijos, fígado de ganso, chocolates, água mineral e trufas, além de alguns manufaturados, como motocicletas italianas de baixa potência. Mas o valor total das punições, que entram em vigor em meados de junho, acabou sendo menor que o esperado, já que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) concluiu que os supostos prejuízos dos produtores locais de carnes bovinas com o veto europeu não devem superar a marca dos US$ 202 milhões, em vez dos US$ 900 milhões inicialmente pedidos pelo setor.
A representante Comercial dos EUA, Charlene Barshefsky, alegou hoje que as punições eram "um último recurso" para "forçar a UE a cumprir as obrigações" assumidas perante a OMC.





