O paranaense Clóvis Antônio Catafesta Armiliato, de 44 anos, tem a duvidosa glória de ser o primeiro e único brasileiro sequestrado pela DEA (a agência antinarcóticos americana). Ele foi preso no Paraguai, em 1994, levado para o Chile e dali para os Estados Unidos, onde cumpre pena de sete anos e meio, acusado de integrar uma quadrilha de narcotraficantes.
‘‘Eu caí numa armadilha da DEA, estou pagando por coisas que fiz e por coisas que não fiz’’, desabafa Catafesta, preso número 36781 da penitenciária Federal de Allenwood, na cidadezinha de White Deer, na zona rural do Estado da Pensilvânia, a 400 quilômetros de Nova York.
Catafesta é o misterioso personagem brasileiro envolvido na ‘‘Operação Madrejon’’, uma ação conjunta da DEA e da polícia antidrogas paraguaia, realizada em outubro de 1994, em Assunção. De todos os envolvidos - quase 200 pessoas em seis países - só o paranaense pegou cadeia.
A operação policial, soube-se depois, estava minada por agentes corruptos dos dois lados - dos envolvidos nela, parece que os traficantes eram os mais honestos.
A Madrejon objetivava interromper uma rota alternativa do tráfico Colômbia-Estados Unidos, com desvio pelo Brasil e Paraguai. O chamariz eram três toneladas de cocaína, encomendadas aos colombianos por um agente encoberto da DEA, no Paraguai.
O serviço de inteligência da DEA armou a arapuca, em combinação com a polícia paraguaia - mas os bandidos acabaram sabendo de tudo o que iria acontecer. Nenhum chefão foi preso - apenas o brasileiro, que construía pistas de pouso para os aviões dos traficantes.
O resultado do vazamento das informações confidenciais foi o assassinato do chefe da Operação Madrejon, o general paraguaio Ramon Rosa Rodriguez, sem que se saiba até hoje quem foram os traidores dentro da cúpula policial.
No inquérito da morte do general, revelou-se que os narcos que ele enfrentava tinham corrompido políticos paraguaios, policiais locais e até agentes da DEA - uma superquadrilha que revenderia nos EUA drogas apreendidas em operações idênticas. Os americanos nunca explicaram a participação de seus agentes no episódio, limitando-se a retirá-los do Paraguai.

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