Washington, 17 (AE-ANSA) - Os Estados Unidos já arquivaram seus planos para uma invasão armada de Kosovo e começam a pensar que o fim da guerra contra a Iugoslávia não está tão longe, e em vista disto estão estudando os detalhes para o envio de uma força de paz.
A mudança do clima é fruto da convicção em Washington de que o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, está quase pronto, depois de dois meses de bombardeios da Otan, para buscar uma saída negociada para o conflito.
"Milosevic está procurando uma maneira de aceitar as condições da Otan sem ficar humilhado", afirmou um funcionário americano.
A desistência de levar à frente os planos para a invasão de Kosovo com forças terrestres deve-se a vários fatores: a convicção de que a campanha aérea é suficiente para convencer Belgrado; a falta de consenso entre os 19 países da Otan e o grande medo de perda de vida de soldados americanos em território sérvio.
É este temor que continua bloqueando o uso dos helicópteros "Apache" nos ataques aéreos, apesar das constantes reclamações do comandante-supremo da Otan, o general Wesley Clark. Os "Apaches" são uma poderosa arma de guerra mas voam baixo e podem ser abatidos pela artilharia sérvia.
Um funcionário do Pentágono deu a entender hoje que esses helicópteros serão utilizados somente quando os militares sérvios se retirem da fronteira com a Albânia.
Os sinais de distensão americanos se concentraram também na decisão do presidente Bill Clinton de liberar os dois únicos soldados sérvios prisioneiros da Otan, capturados semanas atrás por guerrilheiros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
Os soldados sérvios foram levados para uma base militar americana na Alemanha. A Casa Branca sublinhou hoje que a decisão de entregar os prisioneiros não está de forma nenhuma relacionada com a liberação por parte dos iugoslavos dos três soldados americanos capturados na fronteira com a Macedônia.
O governo dos Estados Unidos está finalizando os detalhes para o envio da força que deverá proteger os refugiados que eventualmente voltarão para Kosovo. O Pentágono estima que o número de soldados necessários é mais do que o dobro do inicialmente previsto: de 28.000 passou-se agora para 60.000 homens.
A situação mudou. O plano atualizado deve levar em conta a destruição maciça das habitações dos kosovares por parte dos sérvios e das pontes e rodovias pelas bombas da Otan. A dupla devastação deixou gigantescos problemas de infra-estrutura a serem resolvidos.
"Quatro meses atrás pensávamos que a força de paz seria instalada nos quartéis deixados livres pelos sérvios - explicou um funcionário do Pentágono-, "mas neste ínterim demolimos com as bombas esses quartéis e agora devemos encontrar uma outra solução".
A força militar de intervenção, apesar de deixar para os civis a missão de levar à frente a tarefa de reconstrução de Kosovo, deverá estar em condições de efetuar uma série de "reparações de emergência" nas estradas, pontes e ferrovias.
Outro problema que os americanos estão estudando é o das forças policiais. A idéia é criar uma força internacional de cerca de mil agentes que terá como objetivo treinar 3.000 policiais kosovares. A seleção desses 3.000 agentes já começou em alguns campos de refugiados na Albânia e Macedônia.

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