Washington, 21 (AE) - O governo americano iniciará 16 novas investigações para verificar se o Brasil e outros 11 países estão praticando "dumping" (venda de um produto a preços inferiores aos praticados no mercado de origem ou aos custos de produção) nas suas exportações de aço laminado a frio para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o Senado vota amanhã um polêmico projeto-de-lei estabelecendo quotas para todas as compras no exterior de 18 produtos siderúrgicos, inclusive laminados a quente.
O Brasil e outros três países (Venezuela, Indonésia e Tailândia) também estarão sujeitos a um segundo tipo de investigação para verificar se seus laminados a frio foram subsidiados. Apesar de as empresas brasileiras serem privadas, o governo americano argumenta que as exportações ainda estão sendo beneficiadas por subsídios concedidos no passado, quando a indústria siderúrgica era estatal. Esse argumento já foi uma vez questionado pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
O anúncio das investigações foi feito hoje pelo secretário de Comércio, William Daley - justamente na véspera de uma manifestação em Washington. Mais de mil sindicalistas e uma centena de motoqueiros, montados em suas chamativas Harley-Davidsons, se reunirão amanhã em frente ao Congresso. Seu objetivo é pressionar os senadores para aprovar o projeto-de-lei
que reduzirá pela metade as importações americanas de siderúrgicos e que tem sido criticado duramente pelo governo.
"Essa legislação impondo cotas poderá ter consequências muito sérias para a nossa economia e também para as economias daqueles países que começam a superar a crise financeira internacional de 1998", disse Daley. Entre os países afetados citados por ele estavam Brasil e Rússia. Ambos foram atingidos pela crise asiática e acabam de negociar acordos com o governo americano, limitando suas exportações de laminados a quente para os EUA, em troca da suspensão de investigações anti-dumping e anti-subsídios.
Se a lei for aprovada, esses acordos deixarão de existir. O Brasil (cujo compromisso com o Departamento do Comércio está sendo agora examinado pela indústria siderúrgica americana, que dará seu parecer) ofereceu limitar suas exportações de laminados a quente para os EUA em 295 mil toneladas anuais, durante os próximos cinco anos, e aumentar o preço do seu produto. Cada tonelada brasileira custará no mínimo US$ 255, mais que a tonelada produzida nos EUA e vendida a cerca de US$ 230.
Mas os EUA também sairão perdendo. Daley e outros membros do governo já alertaram os parlamentares que o projeto-de-lei viola regras internacionais e acabará sendo questionado na OMC. "Não acredito que a legislação estabelecendo quotas de importação será aprovada, mas nunca se sabe: a pressão política é grande", disse Russell Smith, um advogado que defende os interesses dos exportadores de aço e acompanha os debates no Congresso.
O projeto-de-lei já passou pela Câmara dos Deputados e reduziria as importações anuais de aço de 40 milhões de toneladas para 26,2 milhões de toneladas. A indústria siderúrgica americana tem apenas 167 mil trabalhadores (enquanto que as empresas que importam aço para fazer outros produtos, como carros, empregam 40 vezes mais pessoas). Mesmo assim, seu lobby de empresários e sindicalistas é forte e foi um dos principais contribuintes para a campanha do presidente Bill Clinton, cuja vaga será disputada no ano 2000.

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