Pequim, 16 (AE-AP) - Removendo um obstáculo para a melhoria das relações com a China, os Estados Unidos concordaram hoje (16) em pagar US$ 28 milhões em compensação pelo bombardeio da Embaixada chinesa na Iugoslávia.
Pelo acordo, selado em dois dias de negociações que arrastaram-se até a manhã de hoje, Pequim irá também pagar US$ 2.87 milhões para cobrir danos causados à Embaixada e consulados dos EUA na China em irados protestos antiamericanos realizados por causa do bombardeio.
O acordo ajudou a dar um final positivo a um ano que viu os laços entre EUA e China afundarem para seu ponto mais baixo em décadas por causa do bombardeio da Otan de 7 de maio. Disputas em relação a direitos humanos, Taiwan, alegações americanas de espionagem chinesa e o banimento por parte da China do movimento espiritual Falun Gong azedaram ainda mais as relações.
"Estou certo de que esse acordo levará à melhoria e maior desenvolvimento das relações EUA-China", afirmou a repórteres o assessor jurídico do Departamento de Estado David Andrews, que negociou o acordo de compensação. "Espero que este dia marque o início de uma tendência mais positiva".
Andrews destacou que o acordo foi fechado poucas horas antes de o novo embaixador dos EUA na China, Joseph Prueher, apresentar suas credenciais ao presidente Jiang Zemin, formalmente ocupando o cargo deixado vazio desde julho.
Pelo acordo de hoje, o governo dos EUA pedirá ao Congresso US$ 28 milhões para o pagamento de extensos danos causados à embaixada da China em Belgrado. O dinheiro virá somar-se aos US$ 4,5 milhões que Washington pagou em compensação às famílias dos três jornalistas chineses mortos e 27 outras pessoas feridas no bombardeio.
Apesar de o acordo, alcançado na quinta rodada de negociações desde junho, ter resolvido a questão de danos à propriedade, ele não suavizou a indignação chinesa.
O bombardeio foi um "ato bárbaro" e uma "grosseira violação" da lei internacional, afirmou o porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Zhu Bangzao, em comentários divulgados pela agência oficial de notícias Nova China.
Zhu voltou a exigir que os Estados Unidos investiguem profundamente o ataque, "punam severamente os perpetradores e prestem contas satisfatórias do incidente ao governo e ao povo chineses o mais rápido possível".
A China nunca aceitou es explicações dos EUA de que o bombardeio foi um acidente, causado por inteligência incorreta. A mídia dominada pelo governo afirmou que o bombardeio foi intencional, inflamando violentos protestos na China.

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