Havana, 04 (AE-ANSA) - O presidente Fidel Castro acusou os Estados Unidos de "estimularem" a saída ilegal de cubanos para seu território, em um discurso de mais de cinco horas que foi concluído na madrugada de hoje (04),
No marco do 46º aniversário do assalto ao Quartel de Moncada, celebrado em Matanzas, 100 km a leste de Havana, Fidel denunciou "a emigração ilegal promovida durante 40 anos pelos Estados Unidos."
O líder cubano recordou que, entre 1945 e 1959, os Estados Unidos serviram de refúgio para "malversadores, torturadores e ladrões do governo de Fulgêncio Batista" e acolheram a alta burguesia cubana, que abandonou suas mansões de Havana que serviram de albergues estudantis durante os primeiros 10 anos da revolução.
Fidel Castro destacou a a Lei de Ajuste Cubano aprovada pelo governo dos Estados Unidos em 1966 e modificada nos anos seguintes que ortoga um status especial aos emigrantes cubanos que cheguem à costa da Flórida. Pela lei, virtualmente todo cubano que deixava o país comunista recebia automaticamente residência legal do governo dos EUA.
Fidel lembrou que depois da crise de migração do Porto de Mariel em 1980, Cuba e os Estados Unidos firmaram em 1984 um acordo migratório para normalizar o fluxo de cubanos até o país vizinho, distante uns 150 km de Havana.
Pelo acordo, os Estados Unidos se comprometeram a conceder até 20.000 vistos a cubanos que desejavam viajar ao país, mas, em 1985 saíram apenas 1.227 cubanos e em 1986 e 87 o convênio foi suspenso com o surgimento da anticastrista Rádio José Marti em Miami.
Fidel disse que dos 20.000 vistos oferecidos pelos Estados Unidos , em 1988 foram ortogados 3.742; em 1989, 1.631; em 1991, 1.376; em 1992, 910; em 1993, 964; e em 1994, ano da terceira crise migratória, só foram concedidos em sete meses 544 vistos a cubanos para emigrar legalmente para os Estados Unidos.
Ele resumiu que em oito anos de convênio, excluindo os dois de suspensão pelo aparecimento da Rádio Marti, "os Estados Unidos deveriam conceder 160.000 visas, e só ortogaram 11.222".
Fidel disse que os governos de Ronald Reagan, George Bush e Bill Clinton, não cumpriram os acordos migratórios sobre a concessão de 20.000 vistos anuais, estimulando o fluxo ilegal de cubanos para os EUA.
O presidente de Cuba denunciou que tentaram chegar da ásia à ilha "centenas de pessoas" como turistas com a intenção de emigrar ilegalmente para os Estados Unidos "e temos adotado a decisão de repatriá-las".
Fidel também ofereceu testemunho de pescadores sequestrados com suas embarcações e levados para Miami, além de recordar a ação de traficantes ilegais que cobram entre US$ 8.000 e US$ 10.000 por pessoa levada para os Estados Unidos em lanchas rápidas.
Sessenta traficantes americanos permanecem presos em Cuba "e devem ser processados de acordo com nossas leis", informou.
Fidel negou, entretanto, a possibilidade de um êxodo maciço de cubanos até os Estados Unidos, mas exigiu que Washington seja mais rigoroso na aplicação do acordo vigente e elimine os "estímulos" à saída de cubanos.
Ele observou que a emigração ilegal aos EUA pode ocorrer não só a partir de Cuba, onde existem milhares de embarcações esportivas difíceis de controlar, mas também da vizinha República Dominicana e de outros países do Caribe "que podem provocar um caos migratório no norte".

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