EUA enviarão de volta a Cuba barco sequestrado, diz Havana.
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Anita Snow 
Havana, 08 (AE-AP) - O governo dos Estados Unidos fará retornar a Cuba seis pessoas suspeitas de terem sequestrado com facas uma embarcação com dois reféns a bordo, anunciou hoje (08) o Ministério do Exterior cubano.
O ministério afirmou que os supostos sequestradores, o iate de nove metros "Albacora" e os reféns são esperados na quinta-feira de manhã em Cuba.
Funcionários do Departamento de Estado dos EUA disseram que arranjos estavam sendo feitos para o retorno nesta quinta-feira dos supostos sequestradores a Cuba, mas advertiram que o plano pode ser abortado se promotores decidirem processá-los nos Estados Unidos. Uma porta-voz do escritório da procuradoria dos EUA em Miami afirmou que o assunto ainda estava pendente.
A ação ocorre poucos dias antes de programadas conversações entre EUA e Cuba em Havana sobre migração, e foi vista como uma vitória para o governo cubano, que tem acusado Washington de não respeitar acordos migratórios.
Autoridades de Cuba têm se mostrado cada vez mais irritadas com políticas dos EUA que elas consideram encorajam cubanos a emigrar ilegalmente para os Estados Unidos. As conversações correm o risco de ser obscurecidas pelo sequestro e pela disputa da custódia de um menino cubano de seis anos encontrado preso a uma câmara de pneu nas proximidades da costa da Flórida em 25 de novembro.
O governo comunista de Cuba expressou satisfação com a provável volta da embarcação sequestrada.
"Foi uma decisão correta", considerou o ministério. "Infortunadamente, esta ação só poderá ser vista como um passo positivo se existir uma séria intenção de respeitar os acordos".
O iate usado para a pesca pertence a uma firma governamental decidida a oferecer aos cubanos férias de baixo custo.
Cuba afirma que a embarcação foi sequestrada na manhã de segunda-feira, com dois tripulantes sendo feitos de reféns. Duas pessoas ficaram feridas, mais tarde identificadas por autoridades americanas como sendo um suposto sequestrador e um refém.
O governo cubano alertou autoridades dos EUA, e a Guarda Costeira apreendeu o iate na costa de Flórida na noite de segunda-feira.
"Este novo ato de pirataria, no qual elementos criminosos põem em risco a vida de trabalhadores cubanos enquanto emigrando para os Estados Unidos repete numerosos atos do passado", afirmou o ministério na terça-feira. A chancelaria exigiu o retorno da embarcação e das pessoas a bordo.
Os supostos sequestradores, cinco homens e uma mulher em seus 20 anos, entraram no iate num porto no norte de Havana e entraram em luta com os dois tripulantes, segundo a Guarda Costeira dos EUA.
Os sequestradores inicialmente resistiram a tentativas dos guardas americanos de subir a bordo depois que a embarcação ficou sem combustível a cerca de 20 km ao sul de Boca Chica, nas proximidades de Key West, Flórida. Os cubanos foram mantidos em barcos da Guarda Costeira.
As relações entre Cuba e os Estados Unidos, sempre espinhosas, deterioraram recentemente em vista da disputa da custódia de Elian Gonzalez.
O governo cubano tem acusado que a negativa dos Estados Unidos de fazer retornar imediatamente o garoto para seu pai em Cuba viola o espírito dos acordos assinados para pôr fim a um êxodo de dezenas de milhares de cubanos em 1994.
"As autoridades americanas, por um lado, prometem impedir imigração ilegal pelos acordos migratórios assinados com nosso país", afirmou a chancelaria cubana. "Por outro lado, eles a promovem com o estúpido Ato de Ajuste Cubano, que concede residência automática a qualquer cubano que chegue a território dos EUA".
A administração Clinton anunciou na noite de terça-feira que reconhece o direito do pai de Elian de pedir seu retorno a Cuba mesmo com o garoto tendo dito que quer ficar em Miami.
A mãe de Elian e seu padrasto morreram numa tentativa ilegal de chegar aos Estados Unidos. O garoto está agora com um tio-avô.
Persuadido por parentes a falar publicamente pela primeira vez na noite de terça-feira, Elian disse: "Eu quero ficar". Ele sussurrou "sim" quando perguntado se gostava de Miami.
Contactado por telefone pelo The Miami Herald, o pai do menino de seis anos afirmou: "Não é isso que ele fala comigo por telefone... Eles estão forçando ele a dizer isso".
Milhares de cubanos têm feito manifestações diárias em Havana na frente da missão diplomática do EUA exigindo a volta de Elian.


