EUA e Rússia chegam a acordo sobre Kosovo
Helsinque, 18 (AE-AP) - Depois de vários dias de tensão e suspense, Estados Unidos e Rússia chegaram a um acordo nesta sexta-feira (18) sobre a participação de tropas russas nas forças internacionais de paz para Kosovo (Kfor), informaram os chanceleres dos dois países - Madeleine Albright e Igor Ivanov.
Pelo entendimento alcançado, 3.000 soldados russos vão integrar-se à Kfor em três setores: francês, alemão e norte-americano. Os russos manterão o controle terrestre do Aeroporto de Slatina (em Pristina, capital de Kosovo), ocupado por 200 pára-quedistas há uma semana, antes das forças da Otan, numa operação que surpreendeu o mundo e deu como fato consumado a presença russa na região. O comando das operações aéreas ficará a cargo da Otan. Tanto no controle aéreo como no terrestre, as unidades da Kfor terão livre trânsito garantido.
Mil e quinhentos soldados russos serão distribuídos na região controlada pelos Estados Unidos (sul de Kosovo) e os demais serão deslocados para as zonas francesa e alemã (norte). Nos bolsões que ficarão sob controle russo - localizados nos setores francês e alemão -, as unidades russas serão mescladas com dois batalhões, de 150 homens cada, um francês e outro alemão. Isso para afastar a idéia de uma região controlada exclusivamente pelos russos, o que, segundo a Otan, poderia estimular uma futura partilha da província sérvia.
As tropas russas servirão sob controle e comando russos mas a Rússia irá trabalhar com os comandantes da Otan nos setores definidos.
A estrutura de comando seguirá o modelo adotado na Bósnia- Herzegovina - as chamadas forças de estabilização (Sfor). O Exército russo manterá um oficial no QG da Kfor, em Pristina, e outro no QG da Otan, em Bruxelas.
A condução política da missão ficará a cargo do conselho permanente conjunto Otan-Rússia, criado em 1997 por acordo entre a aliança atlântica e Moscou.
O acordo de Helsinque foi negociado pelos ministros da Defesa William Cohen (EUA) e marechal Igor Sergeyev (Rússia). Eles foram apoiados pelos chanceleres Albright (EUA) e Igor Ivanov (Rússia).
"O acordo preserva a unidade de comando... e dá à Rússia a função de determinar as operações das forças russas" dentro dos setores controlados pelos membros da Otan, disse Cohen em entrevista coletiva.
"Este acordo protege os interesses fundamentais da Otan", incluindo a preservação da cadeia de comando da aliança atlântica, acrescentou o secretário de Defesa norte-americano.
O acordo ainda precisa ser aprovado pelos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
O presidente norte-americano expressou satisfação pelo entendimento alcançado, que encerra o clima de tensão e suspense criado com a inesperada ocupação do aeroporto de Pristina pelos russos.
Pouco antes da assinatura do acordo, Sergueyev havia assegurado que o Kremlin teria pleno controle, político e militar, de suas forças de paz em território iugoslavo. E o presidente russo, Boris Yeltsin, acrescentava em Moscou que o documento será firmado depois de amanhã, durante reunião que manterá, em Colônia, com o colega americano, Bill Clinton.
Yeltsin vai participar da reunião de cúpula do Grupo dos Oito (sete países mais ricos do mundo e a Rússia), iniciada ontem em Colônia, Alemanha, e presidida pelo chanceler alemão, Gerhard Schroeder, que chefia a presidência rotativa da União Européia (UE).
Os chefes de governo e Estado dos países ocidentais membros do G-8 tentarão acalmar a Rússia, que condenou energicamente a campanha aérea da Otan contra a Iugoslávia, tendo mesmo congelado suas relações com a aliança.
A reconstrução de Kosovo e da Sérvia é um dos principais itens da pauta de trabalho da cúpula, mas figuram nela também problemas econômicos de interesse da região (a Rússia negocia novas linhas de financiamento com o Fundo Monetário Internacional).
Yeltsin tem exigido com veemência um programa urgente para "erguer a Iugoslávia, agredida pela Otan". Contudo, os presidentes Clinton e Jacques Chirac (França) e o primeiro-ministro britânico Tony Blair reiteraram que a Sérvia só terá dinheiro para financiar sua reconstrução se afastar o presidente Slobodan Milosevic e adotar um regime democrático.





