EUA e Otan recebem proposta iugoslava com ceticismo
Bruxelas, 10 (AE-AP) - Os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) receberam com profundo ceticismo a decisão da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) de retirar parte de suas unidades militares e policiais em Kosovo. "Se está ocorrendo, trata-se apenas de meia medida", reagiu a secretária de Estado americana, Madeleine Albright. "Os bombardeios só serão suspensos quando o presidente Slobodan Milosevic (iugoslavo) cumprir as cinco exigências da comunidade internacional", destacou o porta-voz da Otan, Jamie Shea, confirmando a realização de novas incursões aéreas sobre o país.
A agência oficial Tanjug informou que o Estado-Maior do Exército ordenou uma retirada parcial da província sérvia, por considerar "completamente encerrada a campanha contra o denominado Exército de Libertação de Kosovo". Sem dar detalhes sobre o número de soldados e policiais recolhidos aos quartéis fora dos limites de Kosovo, o comando militar iugoslavo ressaltou que quando houver um acordo sobre o envio de uma missão da ONU ao território será possível reduzir as forças iugoslavas na região "aos níveis dos tempos anteriores ao da agressão (referência aos bombardeios)". Estimativas dos serviços secretos da Otan indicam a presença de 40 mil soldados e policiais sérvios em Kosovo. Antes do início da campanha aérea da Otan (Operação Força Aliada), o aparato policial-militar na região não ultrapassava 12 mil homens.
"As condições para suspender a Operação Força Aliada são muito claras", comentou o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhardt. "Qualquer outra proposta que não preencha isso é inaceitável."
A Grã-Bretanha e a Alemanha também reagiram com ceticismo à retirada anunciada por Belgrado. Na Espanha, ela foi anunciada como passo à frente.
A Rússia, tradicional aliada dos sérvios, aplaudiu a medida, que vem antecedida de declarações atribuídas a Milosevic de que a Iugoslávia aceita o plano de paz proposto pelos chanceleres do Grupo dos Sete (EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, França Canadá e Japão), e a Rússia. O presidente iugoslavo faria apenas uma ressalva: admitiria no país forças com "armas leves", comandadas pela ONU, e em número reduzido - muito abaixo do exigido pela Otan. Essas iniciativas de Milosevic são interpretadas tanto no Pentágono quanto na Otan como demonstração de fraqueza do presidente iugoslavo, que estaria tentando proteger suas tropas dos constantes ataques da aviação da aliança e obter algum divididendo político num momento em que a Otan aparenta desgaste diante da opinião pública internacional pelo embaraçoso bombardeio do prédio da embaixada chinesa na capital iugoslava.
A aviação da aliança poupou Belgrado no domingo, mas hoje retomou os bombardeios. As sirenes voltaram a soar e explosões foram ouvidas na zona central da cidade e no aeroporto militar de Batajnica (15 quilômetros ao norte).
A Tanjug informou também sobre ataques ao setor industrial de Cacak (145 quilômetros ao sul da capital), que causaram a morte de 3 pessoas e ferimentos em 12. Os alvos dos mísseis foram a fábrica de produtos térmicos Cer, um instituto de tecnologia e a empresa de construção civil Hidrogradnja. O bombardeio durou 25 minutos.
Foram ainda lançadas bombas no aeroporto de Kraljevo e no povoado de Zablace, ambos no distrito de Cacak. Um projétil caiu na aldeia de Pavlica (sul da Sérvia), onde há um antigo mosteiro cristão ortodoxo. Várias casas foram danificadas, mas não há notícia de vítimas.





