Washington, 09(AE-REUTERS) - Sob pressão de organizações internacioais de ajuda humanitária, os Estados Unidos suspenderam hoje (09) temporariamente seus planos de instalar albaneses étnicos, vítimas da limpeza étnica servia, na base militar de Guantânamo (Cuba), que há alguns anos abrigou milhares de refugiados haitianos. "Guantânamo está pronta, disponível e capacitada para receber refugiados, mas, neste momento, o Acnur (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) avalia a situação para determinar se isso é necessário", disse o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin.
O Acnur manifestou-se publicamente contra a retirada dos albaneses étnicos para muito longe de seu território. E muitos deles recusam-se a ir para a base militar americana em Cuba - provavelmente por se lembrar das queixas dos refugiados haitianos. Os haitianos sentiam-se ali como verdadeiros prisioneiros, devido à pouca liberdade de movimento. Na edição de hoje, o jornal The New York Times confirmou o veto do Acnur à intenção dos EUA de instalar temporariamente ali 20 mil albaneses étnicos. "Nossa oferta continua na mesa", insistiu Rubin, em meio a informações divulgadas pelo Acnur de que o Exército iugoslavo vem impedindo de forma sistemática a saída de albaneses étnicos de Kosovo. "Fundamentamos nossas conclusões em testemunhos de famílias que conseguiram burlar o cerco sérvio e em observações próprias", disse a porta-voz da instituição em Genebra, Judith Kumin.
Observadores do Acnur em Morini (posto avançado da organização na Albânia, junto à fronteira iugoslava) viram soldados sérvios enterrando minas. "Acreditamos que estejam fazendo isso ao longo de toda a fronteira albanesa e também macedônia", acrescentou ela, numa referência às acusações de Belgrado de que a Albânia e a Macedônia preparam uma agressão contra a Iugoslávia.
O Exército sérvio está concentrando tropas também no norte do país, na fronteira com a Hungria. Apesar disso, 1,2 mil albaneses étnicos conseguiram cruzar ontem a fronteira macedônia. "Parece que os dirigentes iugoslavos decidiram na noite de terça-feira pôr um ponto final em sua política de deportações e obrigar os kosovares a permanecer em suas casas", destacou Kumin, numa referência aos temores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que Belgrado pretenda usar os albaneses étnicos como escudos humanos. "Neste momento, não há mais ninguém nos postos fronteiriços albaneses", ressaltou a porta-voz do Acnur. "Só alguns poucos ainda aparecem na fronteira macedônia." A Otan estima entre 150 mil e 200 mil o número de pessoas sem teto em Kosovo. O Exército sérvio teria destruído mais de 50 aldeias.

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