Washington, 29 (AE) - Um dia depois de anunciar publicamente seu veto à escolha do vice-ministro das Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser, para o posto de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), travando a escolha do sucessor do francês Michel Camdessus, a administração Clinton foi obrigada hoje a defender a organização e o uso que faz dela perante o Congresso norte-americano.
"Essa instituição ajuda a promover um mundo mais estável", disse o secretário do tesouro, Larry Summers, respondendo ao bombardeio de críticas de alguns integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
O presidente da comissão, o ultraconservador Jesse Helms, da Carolina do Norte, ecoou as críticas que a esquerda costuma fazer ao FMI, em países ricos e pobres. "Da forma como funciona
o FMI é uma instituição destrutiva, que normalmente faz mais mal do que bem aos países que se propõe a ajudar", afirmou Helms. "Há um crescente sentimento de que talvez tenha chegado o momento, talvez, de se abolir o FMI."
Um estudo encomendado pelo Congresso a uma comissão de economistas sobre as instituições financeiras internacionais não chega a tanto. Mas o trabalho, que será divulgado na próxima semana, proprõe uma drástica redução das atividades do FMI e do Banco Mundial. De acordo com informações que circulam há dias em Washington, uma das recomendações do trabalho é que o Banco Mundial deixe de fazer empréstimos à América Latina e à ásia e transfira essa tarefa aos dois bancos regionais de desenvolvimento - o Banco Interamericano (BID) e o Banco Asiático.
Summers, que se antecipou ao estudo e divulgou em dezembro passado um plano de reforma do FMI na mesma linha, confirmou hoje que a necessidade de mudanças que o executivo americano vê na atuação do Fundo influiu na decisão de Washington de vetar a escolha de Koch-Weser. Um economista nascido no Brasil, que fez carreira no Banco Mundial, Koch Weser teve seu nome formalmente endossado como candidato da União Européia, na segunda-feira, depois de semanas de intenso trabalho diplomático do governo alemão para vencer a resistência de Paris e Londres.
Segundo o porta-voz do FMI, Thomas Dawson, em tese é possível que os 24 diretores-executivos da organização, que falam pelos 182 países membros, iniciem eleições informais a partir de amanhã, para avaliar o apoio dos três candidatos. Mas ele lembrou que os diretores deverão manter a tradição de escolher o próximo diretor-gerente por consenso.
Isso significa que uma votação formal só acontecerá quando todos os países chegarem a um acordo em torno de um nome. Dentro e fora do FMI, a opinião dominante hoje era que o choque aberto entre os EUA e a União Européia provavelmente prolongará por meses processo de seleção e resultará na eleição de um nome que não está na disputa.
Além de Koch-Weser, concorrem o ex-vice-ministro das Finanças do Japão, Eisuke Sakakibara, e o atual diretor-gerente interino, Stanley Fischer, um judeu de origem russa nascido em Zâmbia e naturalizado americano. O nome de Fischer foi proposto por países africanos e tem o apoio das nações do Oriente Médio.
Summers negou hoje acusação do governo alemão, segundo a qual Washington teria articulado a candidatura de Fischer. Ele reiterou que os EUA continuam dispostos a considerar um outro europeu com a estatura, as qualificações e a capacidade de obter amplo apoio, inclusive dos países em desenvolvimento, que o governo Clinton considera necessárias para o preenchimento da vaga de Camdessus.