Washington, 07 (AE-ANSA) - O governo Bill Clinton está ampliando, sem fazer alarde, os contatos entre EUA e Cuba, pressionando por uma modesta abertura, mas evitando a conciliação total com o governo de Fidel Castro, informou o The New York Times em sua edição de hoje (07).
Segundo o jornal americano, com uma série de pequenos passos - alguns anunciados no começo do ano e outros sendo preparados agora -, Washington está procurando, principalmente, atenuar as penúrias do povo cubano e permitir que americanos visitem Cuba, instalem escritórios lá e enviem dinheiro, alimentos e remédios mais livremente para a ilha.
O NYT afirma que nas próximas semanas, segundo autoridades americanas, o presidente Bill Clinton irá retirar mais restrições à transferência de dinheiro e às viagens, além de anunciar o começo de vôos diretos entre Havana, Nova York e Los Angeles, aumentando a rota atual Cuba-Miami.
Essas mudanças, continua o diário nova-iorquino, são parte de uma nova tentativa americana de aproximação do governo cubano. Em 21 de junho, informa o NYT, autoridades dos EUA e de Cuba concordaram em começar a trabalhar mais em conjunto para combater um significativo aumento do tráfico de drogas no interior e nos arredores da ilha. Também foram propostas outras medidas que, de acordo com os americanos, poderiam gerar uma grande cooperação.
Para o jornal, a iniciativa cai bem dentro dos limites da política americana, estabelecidos em 1992 e 1996 pelas leis que endureceram o embargo econômico de 37 anos imposto à ilha. O endurecimento das medidas foi consequência do fato de dois jatos de combate cubanos terem abatido dois aviões civis em 1996, matando quatro cubanos-americanos que tinham planejado voar sobre Havana.
"Há uma determinação consciente desse governo para fazer o que deve ser feito", disse um alto funcionário da Casa Branca ao NYT. Referindo-se aos cubanos que se opõem ao governo de Fidel, ele disse que a política para Cuba foi refém de grupos de lobby cubano-americanos por muito tempo.
O The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo
escreveu que algumas autoridades dizem que o governo já começou a revisar a política cubana considerando o legado que Clinton pretende deixar e as aspirações políticas do vice-presidente Al Gore. Assessores do governo americano dizem que Clinton vê a atual estratégia de Washington para Cuba como arcaica e ineficaz. Gore, porém, não quer atrair a revolta dos eleitores cubano-americanos, consideravelmente influentes em dois Estados importantes, Flórida e New Jersey.
Para o jornal, uma década depois do fim da guerra fria, alguns assessores acreditam que o poder conservador dos grupos de cubanos nos EUA está diminuindo, enquanto a oposição ao embargo continua a aumentar entre empresários, produtores rurais
grupos religiosos e gerações mais jovens de descendentes dos exilados cubanos.

mockup