Washington, 26 (AE-REUTERS) - O Departamento de Estado norte-americano entregou nesta sexta-feira (26) a uma comissão da Câmara de Representantes dos EUA seu polêmico relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo em 1998.
O documento é preparado pelo governo norte-americano desde 1961 e leva em conta o respeito aos direitos trabalhistas e de expressão, além da situação da democracia dos países analisados.
Neste ano, o relatório foi divulgado apenas 24 horas depois de uma comissão independente ter constatado que as mais graves violações aos direitos humanos em 34 anos de guerra civil na Guatemala foram cometidas enquanto os Estados Unidos apoiavam irrestritamente os regimes militares guatemaltecos.
Nas últimas semanas, documentos sigilosos recém-liberados revelaram que agentes americanos exerceram também papel importante no apoio à repressão política levada adiante por ditaduras latino-americanas durante a guerra fria.
O relatório apresentado hoje não poupa críticas à situação dos direitos humanos na China, Sérvia, Cuba, Iraque e Coréia do Norte e assinala que "uma democracia deve ser algo mais do que realizar algumas eleições".
A violência policial foi citada no documento como um dos maiores problemas da situação dos direitos humanos no Brasil.
Eis a avaliação de Washington sobre alguns dos 194 países investigados:
Afeganistão - O regime do Taleban é acusado de ter causado a deterioração da qualidade de vida dos afegãos, impedindo até mesmo que os cidadãos do país tenham acesso aos serviços médicos. Ações de repressão a focos de oposição e execuções sumárias foram fatos comuns em 1998.
Autoridade Palestina - Constatou-se a perseguição a jornalistas, tortura e maus-tratos a presos e altos níveis de corrupção policial.
China - Apesar de tímidos esforços de reforma e abertura, crimes extrajudiciais, tortura, maus-tratos a presos, repressão a dissidentes e confissões forçadas foram ocorrências muito bem documentadas em 1998.
Colômbia - As Forças Armadas, a guerrilha e os grupos paramilitares foram responsáveis por dezenas de casos de violação de direitos humanos no ano passado. A ação do governo, porém, tem sido marcada por alguns avanços.
Cuba - Em 35 páginas, o relatório aponta para violações a direitos básicos, como o de liberdade de expressão, organização e religião. Mas não há dados sobre assassinatos por motivos políticos.
Irã - Forte repressão governamental e assassinatos de dissidentes foram registrados no ano passado.
Iraque - Repressão total promovida por Saddam Hussein e membros de sua extensa família.
Israel - Continuam as detenções de palestinos sem culpa formada, as execuções extrajudiciais de acusados de terrorismo, as sessões de tortura e maus-tratos contra presos políticos.
México - Persistem violações sérias, como assassinatos cometidos por forças policiais, tortura e prisões arbitrárias, principalmente na região de Chiapas, no sul do país. Constatou-se também abuso do trabalho infantil nas áreas rurais e a prostituição de menores.
Sérvia - Um dos países nos quais a situação dos direitos humanos mais decaiu em 1998. Os Estados Unidos acusam o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic de usar "os aparatos militar, político e judiciário, além dos meios de comunicação", para reprimir os albaneses de Kosovo.
Turquia - O governo turco não cumpriu a promessa de acabar com as violações. Prosseguem as execuções sumárias, tortura, crueldade e outros tratamentos degradantes. Os EUA consideram o grupo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) uma organização terrorista, mas o relatório assinala que o governo turco vem intensificano a repressão aos ativistas curdos.

mockup