EUA completam 107 meses consecutivos de crescimento Da correspondente MONICA YANAKIEW
Washington, 31 (AE) - Amanhã (01) a economia dos Estados Unidos completará 107 meses consecutivos de crescimento - um recorde histórico que surpreendeu até os mais otimistas analistas. Mas hoje, o Departamento do Comércio divulgou dados preocupantes: em 1999 o consumo no país subiu 6,9% em relação ao ano anterior. Esse aumento, o maior em uma década, deve levar o Federal Reserve (Fed, ou banco central norte-americano) a elevar as taxas de juros de curto prazo na quarta-feira, no final de uma reunião de dois dias.
Apesar de os consumidores norte-americanos terem contribuído para quase nove anos de prosperidade, numa época em que o resto do mundo enfrentou uma série de crises financeiras, eles hoje estão gastando mais do que devem. No ano passado, o índice de poupança caiu de 3,7% em 1998 para 2,4%. "Isso gera pressões inflacionárias e obriga o Fed a elevar as taxas de juros", disse Dick Berner, economista chefe para Estados Unidos do banco de investimentos Morgan Stanley Dean-Witter.
Segundo ele, esse aumento chegará a um ponto porcentual no final do ano.
Berner, no entanto, acredita que a economia norte-americana está em condições para continuar crescendo "por alguns anos mais". O motivo, segundo ele, é que os quase nove anos de prosperidade podem ser atribuídos a "três décadas de políticas econômicas acertadas" e não apenas ao governo do presidente dos EUA, Bill Clinton.
O "boom"econômico coincidiu com o governo de Clinton, cujo segundo mandato termina em janeiro de 2001. Desde 1995, o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano tem crescido uma média anual de 4,2%. Isso contribuiu para que o desemprego caísse de 7,8% em 1992 para 4,1% em 1999 - o menos em três décadas. E apesar da preocupação em manter o índice de preços ao consumidor baixo, a inflação hoje é inferior a 3%.
Na campanha para as eleições de novembro, Clinton tem citado os êxitos da economia para ajudar seu candidato à sucessão: o vice-presidente Al Gore. Mas segundo Berner, medidas tomadas por seus antecessores - como a desregulamentação do setor de telecomunicações, que aumentou a competição pelo mercado doméstico, reduziu gastos e permitiu o desenvolvimento de novas tecnologias de ponta - também pesaram.
"A adoção de uma política de ajuste fiscal, que permitiu transformar o déficit orçamentário em superávit foi muito importante", disse Berner. Mas ele também menciona o fator sorte. Nessa categoria ele inclui as crises financeiras, que afetaram o México em 1995, a ásia em 1997, a Rússia em 1998 e o Brasil em janeiro do ano passado.
"As crises levaram os mercados a terem uma expectativa de recessão mundial", disse ele. "Isso fez com que muitos norte-americanos penssassem duas vezes antes de gastar muito ou antes de pedir aumentos salariais, reduzindo assim as pressões inflacionárias", explicou. O desafio será ver o que o próximo governo fará, agora que tem dinheiro sobrando nos cofres públicos.





