Washington, 13 (AE-AP) - O governo chinês não advertiu a administração Clinton sobre uma possível ação militar contra Taiwan, mas os Estados Unidos estão preocupados com contínuos vôos militares no Estreito de Taiwan, disse hoje (13) um porta-voz americano.
"Não recebemos nenhuma ameaça ou ultimato dos chineses", afirmou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, David Leavy.
O New York Times e o Washington Post divulgaram hoje (13) que autoridades chinesas teriam advertido estavam considerando uma ação militar por causa das recentes iniciativas independentistas de Taiwan.
Os jornais publicaram que enquanto o aviso poderia ser apenas uma tentativa de intimidação ou uma guerra psicológica contra Taiwan, a administração acredita que as ameaças podem ser reais.
"Não houve nenhuma advertência implícita a ninguém deste prédio", disse Leavy. "Eu gostaria de destacar que nem tudo que vocês vêem nos jornais é necessariamente preciso".
Autoridades não identificadas da administração afirmaram ao Times que Washington havia advertido Pequim de que qualquer ação militar forçaria uma retaliação por parte dos Estados Unidos.
"Eu não vou especular sobre qualquer hipotética operação militar", disse hoje Leavy.
O Post também escreveu que funcionários da embaixada chinesa e oficiais do exército e acadêmicos visitantes afirmaram a analistas e especialistas americanos em Washington que a China está considerando uma nova demonstração de força contra Taiwan.
O porta-voz da embaixada chinesa, Yu Shuning, disse que não sabia de qualquer contato do tipo promovido por autoridades diplomáticas. Ele repetiu a antiga política da China de que ela busca uma reunificação pacífica com Taiwan mas não descarta o uso da força.
William Triplett, um especialista em China e ex-chefe do conselho republicano no Comitê de Relações Exteriores do Senado, afirmou que a China tem sugerido no último mês em jornais do Extremo Oriente que pode ocorrer alguma forma de ação militar contra Taiwan.
Artigos do tipo foram publicados na Malásia, Cingapura, Coréia do Sul, Japão e Hong Kong, segundo Triplett.
Ele disse que qualquer ação militar contra Taiwan teria um tremendo impacto negativo nos esforços da China para forjar relações com o mundo, incluindo os Estados Unidos e países europeus.
"Iria tudo por água abaixo", afirmou.
O Post publicou que a Casa Branca acredita que seja improvável que Pequim lance uma ação militar antes de outubro, para não estragar um encontro no mês que vem entre o presidente Bill Clinton e o presidente chinês, Jiang Zemin, na Nova Zelândia.
"Não acho que eles agirão em breve, mas não posso dizer que eles não agirão de forma nenhuma", afirmou um alto funcionário da administração.
Autoridades da Casa Branca disseram que a ação militar poderia ser desde a captura de uma ilha despovoada pertencente a Taipei até um ataque direto a Taiwan.
A China considera Taiwan uma província rebelde há 50 anos, desde que forças nacionalistas derrotadas recuaram para a ilha depois de enfrentar forças comunistas no continente. A China recusa-se a renunciar da violência para forçar Taiwan a retornar ao controle de Pequim.
A situação ficou mais tensa depois que Taiwan anunciou que suas relações com a China deveriam ser de Estado para Estado.
Os Estados Unidos favorecem uma eventual reunificação, defendendo a política de "uma China".

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