EUA avertem que se houve golpe, vão buscar a restauração da democracia Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 12 (AE) - Apenas um mês depois de ter manifestado sua preocupação a líderes militares paquistaneses sobre a possibilidade de um golpe de estado no país, o governo dos Estados Unidos deixou de condenar claramente hoje (12) a aparente tentativa de remoção do primeiro-ministro Nawaz Sharif do poder pelo chefe do exército, o general Pervez Misharraf, em sua primeira reação às notícias sobre movimentos de tropas em Islamad. Limitou-se, em lugar disso, a indicar que a quebra da ordem democrática levará a um novo esfriamento nas relações entre os dois países, que estão abaladas desde que o Paquistão realizou testes nucleares, no ano passado, em novo capítulo de sua histórica confrontação com a Índia.
"Se houve um golpe, nós buscaremos a restauração da democracia no Paquistão o mais breve possível e , claramente, não estaríamos, por causa de nossas leis, em posição de levar adiante relações normais com as autoridades do país", disse o porta-voz do departamento de Estado, James Rubin.
As especulações disponíveis sobre as causas do golpe envolviam os EUA diretamente. Misharraf estaria conspirando contra Sharif desde que o primeiro-ministro, sob pressão do presidente Bill Clinton, anunciou que atenderia o pedido do líder americano para retirar tropas paquistanesas de Kargil, um dos focos da disputa territorial entre o Paquistão e a Índia na região da Cachemira. Mais de mil soldados dos dois países morreram num conflito desencadeado pela decisão de Misharraf de enviar suas tropas além da "linha de controle" que as separava do território contestado. Rubin procurou minimizar a preocupação dos EUA diante da possibilidade de o retorno dos militares ao poder em Islamabad intensificar a corrida nuclear no sul da ásia. "Mas isso não significa que as coisas não podem mudar", disse o porta-voz do departamento de Estado.
Enquanto diplomatas, funcionários do Pentágono e de Conselho de Segurança da Casa Branca buscavam mais informações sobre a situação em Islamabad , senadores republicanos continuavam empenhados hoje em impor uma humilhante derrota a Clinton, rejeitando o Tratado Abrangente de Banimento de Testes Nucleares, de 1996 - documento que o presidente americano foi o primeiro a assinar e cuja ratificação considera essencial para conter a corrida nuclear na ásia.





