Jacarta, 05 (AE-REUTERS) - Os Estados Unidos afirmaram hoje (05) que apoiariam uma presença internacional na província do Timor Leste, possivelmente envolvendo as Nações Unidas, e exortaram a Indonésia a acabar com a crescente onda de violência no país.
Em visita oficial a Jacarta - a primeira de uma autoridade americana desde a renúncia do presidente Suharto, em maio de 1998 - ,.a secretária de Estado americana, Madeleine Albright, afirmou que a presença internacional se destinaria a supervisionar a transição da ex-colônia portuguesa para a autonomia ou a independência total.
Albright reuniu-se durante uma hora e meia com o presidente indonésio B. J. Habibie e expressou o desejo dos EUA de que os direitos humanos sejam respeitados durantes as eleições parlamentares de 7 de junho. Habibie prometeu, em resposta, que as eleições serão idôneas.
Mais tarde, ela manifestou confiança de que o governo indonésio irá esforçar-se para garantir o bom andamento do pleito. "A sensação que tive ao conversar com o presidente é de que ele está claramente empenhado em fazer com que isso aconteça: uma eleição aberta, livre e justa", declarou Albright em entrevista coletiva ao lado do ministro do Exterior indonésio, Ali Alatas.
A secretária de Estado americana também se reuniu com o líder separatista do Timor Leste Xanana Gusmão, transferido no mês passado de uma penitenciára para prisão domiciliar em Jacarta.
Xanana foi escoltado até o Departamento de Assuntos Exteriores para o encontro com Albright, depois que manifestantes bloquearam o caminho da comitiva da secretária até sua casa.
O líder independentista pediu a Albright que convença as Nações Unidas a enviar imediatamente uma força policial a Timor, a fim de que a paz seja restabelecida enquanto prosseguem as negociações sobre o futuro da ex-colônia portuguesa.
Em resposta, a secretária disse que apoia a medida e que preocupada com a violência em Timor e com as informações de que as Forças Armadas indonésias estão fornecendo armas a milícias civis leais a Jacarta.
Jacarta nega que esteja armando civis, mas admite ter armado e treinado milicianos encarregados de ajudar as forças de segurança a manter a ordem.
Naquele que será o primeiro teste da democracia em quatro décadas, os 125 milhões de eleitores indonésios irão às urnas para renovar o Parlamento de 500 membros.
Albright também opinou que o respeito aos direitos humanos na Indonésia aumentou desde que Habibie recebeu o poder das mãos de Suharto, após as sangrentas manifestações do ano passado. A democracia, segundo a secretária, está florescendo no país.

mockup