Washington, 12 (AE) - Sob pressão da indústria siderúrgica e do sindicato dos metalúrgicos dos Estados Unidos num ano eleitoral, o presidente Bill Clinton impôs novas restrições às exportações de aço do Brasil e de outros países.
A medida, esperada há meses, foi tomada sob um dispositivo de salvaguarda da lei de comércio dos EUA contra aumentos súbitos de importações. Ela impõe tarifas de 10% sobre importação de aço fio-máquina e de 19% sobre tubos com solda, por um período de três anos.
O Brasil vendeu 60.000 toneladas de aço fio-máquina no mercado norte-americano no ano passado. Não está claro se a restrição terá um impacto direto sobre as vendas brasileiras do produto, que usado na fabricação de arames para cabides, cercas e outros artigos, porque a medida isenta as importações totais da primeira 1,58 milhão de toneladas no primeiro ano.
Washington não esclareceu como essa quota será distribuída entre os países fonecedores. No ano passado, os Estados Unidos importaram cerca de 2,3 milhões de toneladas de fio-máquina. A Coréia do Sul é o maior fornecedor externo dos EUA de tubos com solda, usado na construção de oleodutos e gasodutos.
A nova restrição foi anunciada pela Casa Branca na noite de sexta-feira. Ela protegerá um setor da indústria sideúrgica americana que emprega 5.000 pessoas (4.000 na produção de fio máquina e mil na fabricação de tubos).
"A ação do presidente representa uma clara mensagem sobre o compromisso da administração tanto com a vigorosa aplicação das leis de comércio dos EUA como das leis internacionais de comércio", disse o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart. A concessão de alívio temporário foi aplaudida por representantes da indústria.
Segundo um funcionário brasileiro, o governo informou Washington que apresentará queixa contra os EUA na Organização Mundial de Comércio se a decisão tiver impacto para os exportadores do país, porque além de ter sido tomada fora dos prazos, medidas de salvaguarda não são aplicáveis a países em desenvolvimento quando o conjunto de suas exportações ficam aquém de 9% to total importado num mercado, como é o caso, de acordo com a fonte.
Mesmo que tenha sido calibrada para não ter efeito prático para alguns países exportadores, a decisão de Clinton é mais uma manifestação do poder político da indústria siderúrgica americana para obter proteção contra seus competidores estrangeiros.
Ações antidumping iniciadas pela indústria nos últimos dois anos praticamente fecharam os mercados de aços laminados para o Brasil e os demais fornecedores externos. Um acordo de suspensão das tarifas impostas aos laminados à quente do Brasil foi engavetado pelo departamento de Comércio, em represália ao apoio que o governo brasileiro deu à revisão das leis anti-dumping na reunião da Organização Mundial de Comércio, em Seattle, em dezembro.
O secretário do Comércio dos EUA, William Daley, que chega ao País amanhã à frente de uma missão de executivos de empresas em busca de novos espaços no mercado brasileiro, rechaçou na sexta-feira acusações de protecionismo. Daley disse que defenderá as ações restritivas de seu governo contra o aço brasileiro em seus encontros em Brasília, que incluem os chancaler Luis Felipe Lampreia e o presidente Fernando Henrique Cardoso.

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