EUA anunciam medidas visando melhorar relações com o Irã
EUA anunciam medidas visando melhorar relações com o Irã17/Mar, 17:58 Washington, 17 (AE-AP) - Numa grande abertura em relação ao Irã, os EUA anunciaram hoje (17) o levantamento da proibição de importação de tapetes, pistache, caviar e frutas secas do país, prometeram trabalhar intensamente para resolver as disputas financeiras bilaterais - principalmente com relação a bens iranianos congelados no exterior - e reconheceram erros em sua política para o Irã dos anos 50 aos 80. A chancelaria iraniana saudou a decisão e anunciou que, em resposta, Teerã "autorizará a importação de cereais e remédios" dos EUA, anunciou a TV estatal iraniana. Em seu primeiro pronunciamento de política para Teerã desde a ampla vitória reformista nas eleições do mês passado no Irã, a secretária de Estado americana, Madeleine Albright, manifestou a intenção de derrubar o "muro de desconfiança" que separa os dois países desde a Revolução Islâmica, em 1979. "Conclamo o Irã a unir-se na redação de um novo capítulo em nossa história comum", disse Albright numa concorrida cerimônia organizada pelo Conselho Americano-Iraniano. "Vamos discutir francamente nossas divergências e esforçar-nos para superá-las. Vamos reconhecer nossos interesses comuns e esforçar-nos para promovê-los." O Irã é um dos maiores produtores mundiais de tapetes artesanais, pistache e caviar (que, juntos, são sua maior fonte de divisas depois do petróleo). Em 1985 (dois anos antes de o presidente Ronald Reagan proibir a importação de tais produtos iranianos), a república islâmica obteve US$ 85 milhões com sua venda para os EUA. Só a produção de tapetes emprega 5 milhões de iranianos. A iniciativa americana responde a grande parte das condições iranianas para a abertura de um diálogo de governo para governo com os EUA - o objetivo de Washington desde que o reformista Mohhamad Khatami foi eleito presidente do Irã, em 1997. "Os EUA vão estudar formas de remover impedimentos desnecessários à intensificação de contatos entre organizações não-governamentais, estudantes, profissionais, artistas e atletas iranianos e americanos", afirmou Albright. "Os EUA estão prontos para intensificar os esforços com o Irã para chegar a um acerto global das pendências legais entre nossos dois países", acrescentou. Entre outras coisas, o Irã exige armas pelas quais o deposto xá Reza Pahlevi pagou e nunca foram entregues. O processo de resolução dessas questões é feito por meio de um tribunal independente em Haia. "Nosso objetivo é deixar isso para trás de uma vez por todas", disse a diplomata. Albright também fez gestos simbólicos de valor histórico para os iranianos, cuja animosidade antiamericana vem, em grande parte, dos fortes laços entre Washington e o regime corrupto de Reza Pahlevi. A secretária recuou até 1953, quando a CIA ajudou a derrubar o primeiro-ministro populista Mohammed Mosaddegh, que queria nacionalizar a indústria petrolífera no Irã. "O golpe foi claramente um revés para o desenvolvimento político do Irã e é fácil saber por que muitos iranianos continuam se ressentindo desta intervenção da América", disse ela. "No quarto de século seguinte, os EUA deram sustentação ao regime do xá. Embora ele tenha feito muito para desenvolver economicamente o país, o governo do xá também reprimiu brutalmente a dissensão política", admitiu Albright. Apesar das iniciativas, justificadas pelo fato de o movimento em direção à reforma democrática estar "ganhando plena força", Albright deixou claro que a administração Clinton "não tem ilusões" de que os Estados Unidos e o Irã conseguirão superar suas hostilidades da noite para o dia. "Não podemos construir uma verdadeira relação apenas sobre tapetes e grãos", disse. Na verdade, em seu discurso, Albright reiterou alegações dos EUA de que o Irã patrocina o terrorismo, busca armas de destruição em massa e persegue minorias religiosas. Ela disse que o julgamento marcado para o mês que vem em Shiriz de 12 judeus acusados de espionagem será um bom termômetro dos rumos da política no Irã.





