EUA abrem novo processo contra aço brasileiro; IBS protesta
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 2 (AE) - O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) informou hoje que o governo dos Estados Unidos abriu novo processo que pode prejudicar as vendas das siderúrgicas brasileiras àquele país. O processo vai investigar a prática de dumping (venda a preços mais baixos do que o custo de produção, para conquista de mercado) na importação de chapas e bobinas a frio, que são produzidas no Brasil pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas e Cosipa.
A investigação vai abranger as vendas de 12 países - Argentina, Brasil, China, Rússia, Japão,. Indonésia, Eslováquia, áfrica do Sul, Taiwan, Tailândia, Turquia e Venezuela. Em relação ao Brasil, o setor siderúrgico norteamericano, responsável pelo processo, quer impor dois tipos de taxações, de 32% a 63%, para coibir a alegada prática de dumping, e de 12% a 14%, para compensar a carga de impostos sobre o produto norteamericano.
Os empresários norteamericanos também querem que as restrições passem a vigorar imediatamente, assim que venham a ser aprovadas pelo governo dos EUA.
O IBS informou que, em 1998, as chapas e bobinas a frio exportadas pelo Brasil para os EUA chegaram ao valor de US$ 67,1 milhões, e representaram menos de 1% do consumo aparente daquele país.
"O IBS lamenta esta nova escalada protecionista da siderurgia norteamericana e seus efeitos negativos sobre as exportações brasileiras, no momento em que o País se esforça para recuperar sua economia", informa o comunicado do instituto. O Brasil é um dos poucos países com os quais os EUA têm superávit em suas relações comerciais, de acordo com a entidade.
"A siderurgia brasileira rejeita a alegação de prática desleal de comércio, uma vez que as empresas não mais receberam subsídios à produção e exportação do aço, após a privatização, e suas práticas comerciais são compatíveis com o regime de livre competição", acrescenta a nota.
O instituto lembrou que já existem processos contra a importação de laminados a quente brasileiros para os EUA, além da ameaça de imposição de restrições à venda de fios-máquina.


