Eu não queria acreditar no que estava acontecendo
Mães ouvidas pela reportagem da FOLHA confirmaram as denúncias de maus tratos com as crianças da escola. Uma delas, que pediu para não ser identificada, contou certa vez o filho, de cinco anos, queixou-se de dor no pescoço e, ao ser questionado, contou que a tia tinha machucado a sua garganta com a colher, para forçá-lo a comer. Em outra ocasião, ao chegar em casa com a roupa suja, o garoto revelou que foi obrigado a limpar o chão, depois que outra criança derrubou o prato de comida.
Pelo que entendi, se as crianças contassem o que se passava lá dentro, eram castigadas depois, disse a mãe. Ela disse ainda que só conseguiu entrar rapidamente na escola no dia em que fez a matrícula do filho. Depois disso, nunca mais me deixaram entrar. Mesmo assim, ela optou por manter o filho na instituição por falta de opção. Sou sozinha, não tenho ninguém que me ajude. Eu não queria acreditar no que estava acontecendo, argumentou.
Outra mãe, que tirou os filhos da escola há cerca de um mês, relatou que certa vez seu caçula, de seis anos, foi chutado no rosto por uma auxiliar. Minha filha de 10 anos, que também estudava lá, contou que ele estava deitado e, quando viu ela fazendo aquilo, pediu para que parasse. A auxiliar, segundo a mãe, teria respondido que se a menina não queria brincar, que saísse de perto. A garota também relatou que a diretora, em certa ocasião, deu tapas na nuca de um aluno e humilhou verbalmente a cozinheira da escola na frente dos alunos.
Taís Vitoreli, que matriculou o filho de 1,5 ano na escola no início do ano passado, diz que percebeu logo que havia problemas. Ele odiava ir para a escola, chorava muito e por duas vezes chegou em casa com machucados no braço e cabeça. Fiquei preocupada e tirei ele de lá. Hoje ele adora ir para a escola. (Silvana Leão / Reportagem Local)





