Estupros coletivos semeiam pânico no Paquistão
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de julho de 2002
Abdul Sattar Qamar<br> France Presse 
Muzaffargarh, Paquistão - Bandos de estupradores, obedecendo ordens de um Conselho de líderes tribais, estão causando pânico no distrito paquistanês de Muzaffargarh (leste). De acordo com gravações apresentadas pela polícia aos dirigentes do governo provincial que investiga o caso de estupro ordenado por decreto tribal de 22 de junho deste ano, 22 mulheres foram violentadas por 53 homens.
O superintendente da polícia, Farman Ali Chaudhry, declarou que 45 dos supostos atacantes já foram detidos.
Duas dessas mulheres morreram. Uma delas foi assassinada, provavelmente porque podia identificar seus atacantes, outra se suicidou, no dia 2 de julho.
O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, chegou a intervir nesse caso de ultraje, ordenado pelos próprios dirigentes de uma tribo, e que vem envergonhando o país islâmico de 145 milhões de habitantes.
A violação foi ordenada como castigo depois que o Conselho declarou um menino de 11 anos culpado de manter relações ''ilícitas'' com uma mulher de 30 anos da tribo Matsoi. A família do garoto acusou a tribo Matsoi de fabricar as acusações para esconder o fato de o menino ter sido sodomizado por três homens Matsoi. Os pais contaram à polícia que seu filho foi vítima de abusos sexuais quando trabalhava num campo, em junho.
Quando o menino ameaçou contar tudo a seus pais, os homens o trancaram num quarto com uma mulher de 30 anos da tribo e o acusaram de manter relações com ela. Como punição, a irmã do menino, Mukhatan Bibi, de 18 anos, foi estuprada por quatro homens, um deles membro do conselho da tribo, tendo sido obrigada a voltar ao lar nua, ante o desprezo da população.


