Estuo do Idec revela que serviços de energia e telefonia pioraram
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domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 21 (AE) - Os serviços de telefonia e energia elétrica pioraram para o consumidor após a privatização. Essa foi a conclusão de um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) para avaliar a situação dos serviços para o consumidor. "Não foi cumprida a expectativa da sociedade de melhora dos serviços e redução dos preços pela concorrência"
diz a coordenadora jurídica do Idec, Flávia Lefevre.
O estudo concluiu que a situação piorou principalmente para o consumidor de renda menor, que passou a pagar mais pelos serviços de telefonia e de energia elétrica. "O telefone ficou mais barato para as empresas e mais caro para o consumidor", diz Flávia. A assinatura residencial passou de R$ 0,61 em 95 para R$ 16,49 atualmente. A energia elétrica também ficou menos acessível para os mais pobres, com a diminuição dos descontos nas faixas de consumo menor, ainda na fase de preparação para a venda das empresas, no final de 95.Os consumidores que usam de 50 a 250 Mwh/mês tiveram aumentos superiores a 30% na conta de luz.
"A ausência de política tarifária está tendo um efeito avassalador para o consumidor de renda mais baixa", diz Flávia. Em dezembro do ano passado, a inadimplência nas empresas de energia de São Paulo era de 42,7% em média, o dobro do número verificado antes da privatização. A dificuldade de pagamento também aumentou o número de ligações precárias e os acidentes em função disso. O número de incêndios em cortiços em São Paulo passou de 106 em 1996 para 151 no ano passado.
O estudo do Idec também conclui que as agências foram criadas em datas muito próximas à privatização, e não estão preparadas para defender o consumidor. Além da telefonia e energia elétrica, os técnicos do Idec vão analisar também a privatização dos serviços de água e esgoto, em vias de ser realizado. Esses serviços só não passaram ainda às empresas porque existe uma discussão no Congresso sobre quem é o concessário, se os municípios, hoje responsáveis pelos serviços na maioria das cidades, ou a União.
Depois de analisar a legislação sobre os serviços privatizados, o Idec vai começar no próximo mês a estudar outros aspectos, como as tarifas e a qualidade dos serviços.


