Estudos indicam ciclo ideal para retomada do crescimento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de dezembro de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Brasil está entrando em um ciclo ideal para que o país retome o crescimento econômico, mostram estudos desenvolvidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Tábua de Vida é uma compilação de tabelas com dados referentes à expectativa de vida, mortalidade infantil e distribuição demográfica da população por idade, sexo e região.
Segundo a pesquisa divulgada ontem, o Brasil está entrando em um período denominado janela demográfica: o país apresenta um elevado contingente de pessoas em idade ativa, ao passo que a proporção da população com idade entre 0 e 14 anos vem diminuindo em relação aos anos anteriores - resultado da diminuição da média de filhos por família registrada nas últimas décadas. O cenário é ideal para a alavancagem da atividade econômica, como aconteceu com a Europa após os anos 50, quando o continente também entrou na janela demográfica.
A Tábua de Vida mostra que cerca de dois terços da população brasileira têm entre 15 e 64 anos e que seriam responsáveis pelo sustento da população inativa. Para efeitos de comparação, a população entre 0 e 14 anos hoje representa apenas 42% da população economicamente ativa - em 1980, esse índice era de 66%.
O estudo também registra a expectativa de vida da população brasileira. Um dado importante especialmente para cálculos da Previdência Social. O aumento na expectativa de vida foi o responsável pelo aumento da idade necessária para a aposentadoria no governo Fernando Henrique Cardoso.
A expectativa de vida do brasileiro no ano passado chegou a 71,7 anos, um aumento de 9,1 anos em relação ao verificado em 1980. O Paraná é o sexto estado mais bem colocado no quesito: a expectativa no estado é de 73,2 anos. O Distrito Federal tem a maior expectativa de vida do país, com 74,6 anos, enquanto o pior estado é Alagoas, com 65,5 anos de expectativa de vida.
Conforme mostra o estudo, a expectativa de vida dos homens ainda é menor do que as mulheres, principalmente devido a mortes violentas entre os jovens. A expectativa de vida das mulheres no Brasil é de 75,5, enquanto a dos homens é de 67,9. No Paraná, os homens vivem em média 70,1 anos, enquanto a das mulheres é de 76,4 anos.
De acordo com os dados do IBGE, a mortalidade infantil continua caindo no Brasil ao longo dos anos. De 2000 até 2004, a taxa de óbitos por mil nascimentos caiu de 30,1 para 26.6. O Paraná é o sétimo estado com melhores índices no quesito, com uma taxa de 20,7. O Rio Grande do Sul tem a menor taxa de mortalidade (14,7) enquanto Alagoas tem a pior média, com 55,7 mortes por mil nascimentos.


