Dois estudos inéditos realizados por estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) prometem engrossar a lista de argumentos contrários à construção da Usina Hidrelétrica (UHE) Mauá, no Rio Tibagi. Um revela a opinião de ribeirinhos sobre o projeto, enquanto o outro analisa o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do empreendimento. Hoje à tarde, a Câmara de Vereadores de Londrina sedia mais uma audiência pública sobre o assunto.
Uma pesquisa qualitativa feita pela formanda do curso de Ciências Biológicas da UEL, Renata Picolo, 23 anos, levantou que 89% dos ribeirinhos que seriam diretamente afetados pela usina são contrários à sua construção. A amostragem contemplou 44 moradores da comunidade de Lajeado Bonito, em Ortigueira (116 km ao sul de Apucarana), próxima à divisa com Telêmaco Borba. As entrevistas foram feitas entre junho e julho deste ano, como parte de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Conforme o estudo, 73% dos entrevistados residem na área que seria alagada e teriam que deixar suas casas. Destes, 70% ocupam a área há mais de 20 anos, 55% não foram informados sobre indenizações e 68% não acreditam que os benefícios (compensações) divulgados corresponderão às suas necessidades. ''Os moradores estão perdidos, muitos só têm informação sobre o assunto porque estão indo atrás'', observa Renata.
Com relação ao meio ambiente, 98% da população entrevistada considera importante preservar as matas e os rios. Ao mesmo tempo, 96% disse conhecer as características da região ameaçada, apontando que a área é importante para a qualidade de vida e o equilíbrio ecológico. Segundo a estudante, a extinção dos peixes foi a principal alteração apontada como consequência da usina, caso seja construída. ''Eles se adequaram bem àquela área e têm boa noção de preservação da natureza.''
Questionados se acreditam que o EIA/Rima para obtenção de Licença Prévia do projeto junto aos órgãos ambientais, bem como todo o processo de licenciamento, estão de acordo com a legislação, 91% declararam que não. Entre os 11% que se disseram favoráveis ao empreendimento, a maioria acredita que ele trará estradas e emprego.
Renata lembra que a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), majoritária no consórcio formado para construção e exploração da usina, inventariou 180 famílias cujas terras seriam alagadas. ''Entretanto, o número chega a 300 se contarmos as que não possuem escritura da terra, mas têm direitos por usucapião. É uma população que precisa ser consultada'', salienta.
A audiência pública para discutir o aproveitamento energético no Paraná, com destaque para o projeto da UHE Mauá, será realizada hoje, às 14 horas, na Câmara Municipal (Centro Cívico). São aguardados representantes da Assembléia Legislativa, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ministério Público (Estadual e Federal), Ministério de Minas e Energia, Copel e Comitê de Bacias, entre outros. O encontro é aberto aos interessados.

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