Estudos alertavam sobre riscos em Niterói
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quinta-feira, 08 de abril de 2010
Agência Estado 
Rio - A Prefeitura de Niterói tinha em seu poder, desde 2004, pelo menos dois estudos produzidos pela Universidade Federal Fluminense (UFF) que alertavam sobre os riscos da ocupação desordenada da cidade e de deslizamento nas encostas do município. As pesquisas foram elaboradas pelos departamentos de geociência, de arquitetura e de engenharia civil da universidade, cuja sede principal fica no município.
A falta de ações preventivas da administração municipal, a demora do atual prefeito, Jorge Roberto Silveira (PDT), para reagir ao caos que se instalou a partir das fortes chuvas que atingiram a cidade e as confusas manifestações dos seus secretários municipais ao longo do dia são reveladoras. Servem para entender por que o município que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apontou como o terceiro melhor do País também é o que está mais sofrendo os efeitos das tempestades dos últimos dias, com mais de 100 mortos e pelo menos 200 desaparecidos sob os escombros.
O estudo mais recente, concluído em 2007, apontou 142 pontos de risco em 11 regiões da cidade. De acordo com o coordenador da pesquisa, o professor do Departamento de Engenharia Civil da UFF e doutor em Recursos Hídricos, Elson Antonio do Nascimento, os desmoronamentos ocorreram em cinco das áreas apontadas pela pesquisa, que teve o apoio do Ministério das Cidades.
''O plano seguiu a metodologia do ministério, que prioriza sempre soluções mais simples e econômicas. Para drenagem, as obras sugeridas custariam em torno de R$ 20 milhões. Para estabilização das encostas, R$ 19 milhões. As obras emergenciais levariam dois anos para ser concluídas e o plano poderia ser finalizado em cinco anos'', explicou Nascimento.
Segundo ele, o então prefeito Godofredo Pinto (PT) preferiu não aplicar o plano ''por discordar de sua metodologia''.
Em junho de 2004, o Instituto de Geociências da UFF entregou à prefeitura um outro mapeamento com todas as áreas de risco de Niterói. No documento, o Morro do Bumba era apontado como uma região de ''extremo risco'', onde facilmente poderiam ocorrer deslizamentos devido ao fluxo de detritos acumulados no solo.
''Fizemos o estudo com uma equipe multidisciplinar e realizamos a análise geológica e o estudo da cobertura vegetal. Ao contrário do que ocorre em um aterro sanitário, o lixão é o depósito desordenado da matéria orgânica. Podemos afirmar que a degradação deste lixo foi o motor deste deslizamento'', disse o professor e geólogo Adalberto da Silva, que participou do estudo.
Na avaliação do professor de Administração Pública da UFF Claudio Gurgel, Niterói passa por uma expansão desordenada e não tem nenhum programa de habitação popular. Sua boa colocação no PNUD, lembra o professor, ocorre porque a avaliação se baseia no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede nível de renda, escolaridade e expectativa de vida da população.


