Estudo vai determinar segurança para consumo
Três substâncias colorantes passarão por estudo de reavaliação das condições de segurança para o consumo, segundo informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A lista inclui o vermelho ponceau 4 r, presente nos iogurtes e produtos lácteos, o amarelo quinolina e o amarelo crepúsculo, que aparecem nos rótulos de salgadinhos de pacote e de cereais matinais.
''Esta reavaliação foi definida em março e será feita entre 2010 e 2011. O comitê científico da FAO (Organização para Alimentos e Agricultura das Nações Unidas), parâmetro para o Brasil, determinou que se faça esse novo estudo para se obter mais informações sobre as substâncias'', diz a especialista em tecnologia de alimentos da Anvisa, Daniela Arquete.
O assunto veio à tona depois que pesquisas europeias recentes indicaram que esses corantes, associados a um conservante (benzoato de sódio), estariam relacionados a processos alérgicos e hiperatividade em crianças. A investigação principal nesta linha é um estudo do Reino Unido conduzido pelo Imperial College, com 153 crianças.
Para a professora Cristina Miuki Abe Jacob, chefe da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do HC (Hospital das Clínicas), em São Paulo, ''uma possível ligação entre a hiperatividade das crianças e os aditivos já foi muito relatada em pesquisas''. Ela lembra que, apesar dos indícios apresentados por estudos internacionais, nenhum deles chegou a um consenso.
Mesmo antes de uma confirmação das suspeitas, o vermelho ponceau e o amarelo crepúsculo já foram banidos de vários países. ''Todos os corantes têm potencial de causar danos à saúde. A legislação brasileira é permissiva quando comparada a outros países, como Estados Unidos, Áustria e Noruega, sendo que muitos corantes usados aqui são proibidos por lá'', diz a biomédica Mirtes Peinado, consultora do Instituto de Defesa do Consumidor. Ela ressalta o caso da tartrazina, pigmento amarelo associado a quadros de alergia respiratória e erupções cutâneas, que em janeiro recebeu a obrigatoriedade de ser discriminado no rótulo dos alimentos. (Caline Migliato/ Agência Estado)





