Um estudo divulgado no último dia 19 dá nova esperança a mulheres que sofrem de câncer de mama, especialmente às pacientes cujos linfonodos (gânglios do sistema linfático) já tenham sido atingidos pela doença. A substituição de uma droga na chamada terapia adjuvante (quimioterapia após a cirurgia de extração do tumor), pode reduzir em 40% o índice de taxa de recaída até três anos após o tratamento.
O estudo, conduzido pelo Breast Cancer International Research Group (BCIRG) – Grupo Internacional de Pesquisa sobre Câncer de Mama –, foi apresentado durante o 38º Congresso da Asco (American Society of Clinical Oncology) em Orlando (EUA). Ele é resultado do acompanhamento do quadro de 1.491 mulheres com câncer de mama disseminado para os linfonodos. A avaliação aconteceu em 111 centros clínicos em 20 países, com um tempo médio de três anos por centro (a pesquisa, integralmente, levou cinco anos). Do Brasil, participaram a Santa Casa de Porto Alegre (RS) e o Centro de Referência da Mulher, em Campinas (SP).
O novo tratamento, cuja sigla é TAC, utiliza Taxotere (nome comercial da substância docetaxel) combinado com duas outras drogas, a adriamicina e a ciclofosfamida. Já o tratamento padrão (FAC) utiliza fluorouracil, adriamicina e ciclofosfamida. As pacientes avaliadas no estudo foram divididas em dois grupos, e cada um deles recebeu um tipo de terapia (TAC ou FAC). Elas passaram por seis ciclos de tratamento, com intervalo de três semanas entre eles, após a cirurgia de extração do tumor primário.
Metade das mulheres pesquisadas estava abaixo dos 50 anos de idade e três em cada cinco tinham tumores iniciais com mais de dois centímetros. O índice de sucesso da nova terapia varia de acordo com o quadro da paciente. Os melhores resultados foram obtidos no estágio em que até três linfonodos estavam comprometidos: o TAC proporcionou 50% mais chances de erradicação permanente do câncer e 54% menos chances de óbito em função da doença.
De um modo geral, a substituição do fluorouracil pelo taxotere baixou o índice de recaída da doença. Nos três anos de acompanhamento do quadro das pacientes, verificou-se que a taxa de recaída entre as mulheres que se submeteram ao FAC ficou em 32%, enquanto as submetidas ao TAC tiveram um índice de 19% de reincidência.
‘‘Pode não parecer muito, mas coloque esses números em milhares de pacientes que são tratadas todos os anos’’, diz André Murad, professor-doutor da Disciplina de Oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Só no Brasil, são 32 mil novos casos anualmente’’, lembra ele.
O oncologista salienta, porém, que esta nova terapia deve ter uso restrito por algum tempo. ‘‘É um esquema de tratamento mais caro do que o antigo. É preciso ver o seu custo na rede pública’’, considera. ‘‘Naturalmente, queremos curar o maior número de pacientes possível.’’
A intenção de Murad é, inicialmente, utilizar a terapia TAC nas pacientes com maior risco de vida, que estejam com os gânglios comprometidos. ‘‘Elas têm um prognóstico muito inferior’’, observa.

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