Lisboa - Entre o verde do mar e o azul turquesa estaria a cor do Universo, se fosse possível misturar e fazer a média das tonalidades de todas as galáxias que existiram desde o início dos tempos. O exercício foi feito por dois astrônomos da Universidade de Johns Hopkins (Baltimore, Maryland), Karl Glazebrook e Ivan Baldry, que utilizaram como base um estudo que envolve mais de 200 mil galáxias situadas a uma distância entre 2 e 3 mil milhões de anos luz da Terra.
A investigação, denominada ‘‘2dF Galaxy Redshift Survey’’, mede a luz de uma grande parte do Universo. A partir desse estudo, os investigadores do Johns Hopkins construíram aquilo a que chamaram ‘‘Espectro cósmico’’, que representa toda a energia do universo local (mais próximo em termos temporais), traduzida em diferentes comprimentos de onda. ‘‘Podemos caracterizar a luz pelo seu comprimento de onda: esta é composta por fotões, sendo que os mais energéticos têm maior comprimento de onda’’, explicou Sônia Anton, astrofísica do Observatório Astronómico da Ajuda.
O espectro cósmico teve inicialmente a forma de um gráfico mas, como a um maior comprimento de onda corresponde perante o olho humano uma cor mais avermelhada e a um menor uma azulada, os cientistas transformaram-no depois num painel de cores. ‘‘Este painel seria o que o olho humano veria se fosse possível fazer passar toda a luz do Universo através de um prisma produzindo um arco-íris. A intensidade da cor é proporcional à sua intensidade no Universo’’, explicam os investigadores.
Foi pegando em todas estas cores que os cientistas chegaram àquilo que denominaram de ‘‘cor média’’, ou seja, ‘‘a cor que veríamos se fosse possível captar toda a luz do Universo ao mesmo tempo’’, algo entre um azul turquesa pálido e um verde marinho.
No entanto, é precisamente este princípio que desagrada à astrofísica contactada pela Lusa. ‘‘Penso que se estão a misturar realidades diferentes: é como se quiséssemos saber a cor média de um pomar, sem separar as fases do ano em que este tem laranjas com as outras em que não tem’’, sublinhou Sônia Anton.

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