São Paulo, 15 (AE) - O estudo que avaliou o efeito da droga nevirapina na transmissão de aids para recém-nascidos provocou grande expectativa entre mulheres soropositivas de São Paulo. Somente hoje, no período da tarde, o infectologista David Uip recebeu uma série de telefonemas de portadoras do vírus da aids dispostas a engravidar. "Muitas acreditaram que o problema de transmissão vertical - de mãe para filho - acaba com o uso do medicamento", afirma o médico. "Mas esse conceito é totalmente incorreto", completa.
Desenvolvida em Uganda, na áfrica, a pesquisa demonstrou que o uso da nevirapina reduz em 47% os riscos de transmissão do vírus. Uma dose seria dada à mãe, durante o parto, e outra à criança, três dias depois. O estudo garante, ainda, que a terapia com nevirapina é 200 vezes mais barata que o tratamento feito com AZT. Mas Uip afirma que os resultados da pesquisa não têm aplicação prática no Brasil. Segundo ele, o País realiza nas gestantes portadoras do HIV um tratamento mais seguro, feito com AZT. A droga começa a ser tomada pela mãe a partir da 14.ª semana de gestação até o pós-parto. "Essa terapia consegue proteger até 70% dos bebês, portanto, um índice superior ao do estudo de Uganda".
O infectologista não incentiva a gravidez de mulheres soropositivas por várias razões. "Ainda não é o momento", afirma. Uip acredita que medicamentos mais eficazes que estão em fase de desenvolvimento em breve estarão disponíveis. Mas não é só. Em uma pesquisa que acaba de ser divulgada, ficou demonstrado que filhos de mães que se submeteram à terapia com AZT durante a gestação, mas que mesmo assim foram contaminados, apresentam um grave problema. Muitos apresentam vírus resistente a uma das drogas usadas para combater o avanço da doença, os inibidores de transcriptase.
O médico acrescentou ainda que a forma como a nevirapina foi dada no estudo de Uganda protege os bebês apenas no momento do parto. "Mas o vírus pode ser transmitido também na vida intra-uterina", lembra Uip. "Para aquele país, onde não há uma política para prevenir a transmissão vertical, o estudo é válido". A nevirapina já é usada no Brasil, com sucesso em muitos casos. "Mas ela apresenta efeitos colaterais".

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