Rio, 30 (AE) - Um estudo comparativo entre oito capitais identificou Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo como as campeãs em números de óbitos por doenças cardíacas no Brasil. Intitulado "Estudo Bússola", o trabalho foi organizado pelo cardiologista Antônio Luiz Brasileiro, entre abril e junho do ano passado, e vai ser divulgado amanhã (01), durante o Congresso da Sociedade de Cardiologia do Rio. Para chegar a classificação, o médico utilizou dados da Fundação Nacional de Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) entre os anos de 1980 e 1996.
Para o cardiologista, as mortes por enfartes ocorrem por causa do mau atendimento no setor de emergência dos hospitais públicos, justamente quando a vida de uma vítima de enfarte agudo do miocárdio tem mais chance de ser salva. Segundo o levantamento, metade das 46 unidades de emergência públicas do Rio não têm condições de oferecer tratamento eficiente a esse tipo de paciente. Para fazer o trabalho, 21 médicos percorreram os hospitais públicos do Estado e constataram que em apenas 12 5% deles o paciente recebe as chamadas drogas trombolíticas, capazes de dissolver o coágulo que se forma na artéria coronária e provoca o enfarte.
"As justificativas vão de falta do medicamento na unidade à recomendação de que a droga seja oferecida somente na UTI, quando o remédio perdeu parte da eficiência", afirma Brasileiro. O simples fato de o paciente mastigar dois comprimidos de aspirina infantil reduziria em 23% os casos de morte por enfarte, de acordo com o cardiologista. Mas o "Estudo Bússola" aponta que 60% dos 51 médicos entrevistados demonstravam não ter "consciência" da importância desse medicamento.
Brasileiro foi chefe da Unidade Coronariana do Hospital de Cardiologista de Laranjeiras, unidade de referência para doentes cardíacos no Estado do Rio. "Os pacientes chegavam sem tratamento adequado", afirmou o cardiologista. Ele pretende estender o estudo para o resto do País. "Se o doente não receber as drogas trombolíticas nas primeiras seis horas após o enfarte, o benefício do medicamento passa a ser nenhum".

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