Estudo propõe educação para a saúde no currículo escolar
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quinta-feira, 08 de maio de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Londrina - D.S., de 15 anos, diz que não suporta bebida alcoólica. "Não desce." Mas fuma desde os 13 anos. Inclusive maconha. Começou por influência das amigas e não parou mais. Um ano mais velho do que ela, A.S. consumiu tanta maconha e fumou tanto crack, segundo ele, que decidiu largar quando viu que as drogas já estavam afetando sua memória. "Agora só bebo", confessa. "O que tiver na banca, nóis toma (sic)." Foi pela maconha que D.S.R.R., de 15, se iniciou nas drogas. Diz que já tentou parar, mas não conseguiu. Chega a fumar dois maços de cigarros por dia. Os três estudam no mesmo colégio estadual onde, garantem, outros vários colegas compartilham dos mesmos vícios.
Esses adolescentes ouvidos ontem pela FOLHA na saída da aula reforçam o perfil que os educadores físicos Dartagnan Pinto Guedes e Márcio Teixeira, professores do Mestrado em Exercício Físico na Promoção da Saúde da Unopar, traçaram em uma pesquisa inédita realizada com 6 mil jovens de 15 a 18 anos do ensino médio das escolas do Paraná. O que eles querem com esse estudo é mostrar que, por causa dos comportamentos de risco adotados por muitos jovens nessa faixa etária estarem associados, de nada adiantam ações isoladas e descoladas de uma proposta pedagógica. É preciso incluir no currículo escolar uma disciplina específica de educação para a saúde direcionada a discutir ações de intervenção. Esses comportamentos de risco incluem consumo de álcool e drogas, porte de armas, agressões físicas, tentativas de suicídio, atividades sexuais sem prevenção e má alimentação, entre outras atitudes nocivas à saúde. "A ideia não é só identificar as ocorrências, elas estão na nossa frente. Nós sabemos que os jovens bebem, fumam, usam drogas, não se previnem nas relações sexuais, não se exercitam adequadamente. Queríamos ter o retrato dessa realidade para dar subsídios à modificação do currículo escolar nesse sentido", afirma Dartagnan.
Para ele, essa discussão tem que envolver a família, mas deve ser assumida pela comunidade escolar de forma efetiva. "Precisamos educar esses jovens para a saúde e evitar que eles continuem a adotar comportamentos de risco", defende.
O professor aponta que há muitos casos de adolescentes que deixam de ter no ambiente familiar as referências morais e tendem a absorver valores adquiridos num ambiente externo. "As escolas têm que avaliar que devem ter uma disciplina específica para isso", prossegue. É um processo que demanda tempo, ele reconhece, porque as instituições de ensino ainda não estão preparadas para lidar com o tema em sala de aula. "As escolas estão com currículo desorganizado para tratar o assunto", decreta.


