Estudo prevê valorização do idoso
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de julho de 2000
Luciana Miranda Agência Estado 
De velhos para idosos. Hoje, fazem parte da chamada terceira idade. No futuro próximo, quem tem 60 anos ou mais fará parte da idade do poder. A explicação é simples: essa população cada vez mais numerosa trabalhará por mais tempo, ocupará postos de decisão e será uma importante massa consumidora. Essa é a previsão de uma pesquisa realizada pelo Instituto Sodexho para o Desenvolvimento da Qualidade de Vida no Cotidiano em 11 países, incluindo o Brasil.
Juntos, os países selecionados somam 101 milhões de pessoas maiores de 65 anos - o equivalente a 19% da população mundial de 540 milhões de pessoas nessa faixa etária. Foram estudadas também a Alemanha, Bélgica, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia.
Para especialistas em gerontologia - área que estuda o envelhecimento -, envelhecer bem é possível. O segredo é continuar a atividade profissional normalmente, manter a vida social, cultivar amigos e cuidar da saúde desde cedo.
A sociedade também deve mudar o conceito que tem do idoso. Precisamos aceitar o envelhecimento de forma mais positiva, afirma a fonoaudióloga Tereza Bilton, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
De acordo com dados do Epidoso, um estudo contínuo desenvolvido pela Unifesp desde 1991, o idoso brasileiro é viúvo, tem casa própria e mora com a família. Mas não é ele que vai morar com a família, é a família que vai morar na casa dele. Nem sempre o idoso está disposto a modificar a dinâmica de sua casa, explica João Toniolo Neto, diretor clínico do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp.
Representando 8% da população brasileira, os idosos são responsáveis pela ocupação de 35% dos leitos de hospitais públicos. Estimativas do Epidoso apontam que, em 2020, os idosos - correspondendo então a 15% da população - ocuparão 65% dos leitos da rede pública hospitalar. As principais causas de internação, segundo dados do Sistema Único de Saúde(SUS), serão problemas cardíacos e respiratórios.
Prevenção e diagnóstico precoce podem reverter o quadro. O desafio é diminuir a taxa de doença na população idosa, afirma Wilson Jacob Filho, diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Para evitar que a doença se instale, a estratégia é eliminar ou controlar os fatores de risco no adulto ainda jovem. Fumo, sedentarismo, obesidade, pressão alta e dislipidemia (alteração das taxas de coleterol no sangue) são os principais fatores de risco. Mas Jacob alerta: não é fácil sensibilizar alguém que ainda não está doente.
Sem prevenção, o resultado é a doença. Mesmo para quem começa a se cuidar tarde, ainda há tempo. A fonoaudióloga Tereza conta que já viu exemplos de idosos que revertem a situação e ganham qualidade de vida.
Os idosos constituem um grupo bastante heterogêneo e os especialistas já perceberam isso. Nesse contexto, o ponto de partida para estabelecer bons programas de assistência é diagnosticar o que os médicos chamam de capacidade funcional - grau de autonomia e limitações do idoso no desempenho de suas tarefas cotidianas. Todos os idosos não podem ser tratados da mesma forma, diz Jacob.
Os que estão bem física e mentalmente precisam continuar assim. Aqueles que estão em situação crítica necessitam de reabilitação para voltar ao equilíbrio do organismo. É preciso saber quem precisa do que, explica Jacob.


