O uso indiscriminado de remédios está levando muitas pessoas para o hospital. Um estudo feito em dez centros do País revela que 41,6% dos pacientes que recorrem a prontos-socorros com queixas de problemas gástricos usaram antiinflamatórios, ácido acetilsalicílico ou ambos até 72 horas antes de recorrer ao serviço de urgência.
‘‘Não há dúvidas de que a maior parte desses distúrbios
foi desencadeada pela medicação’’, afirma o gastroenterologista Décio Chinzon, autor do estudo. A queixa mais comum foi dor de estômago: 56%. Uma parcela representativa (46%) apresentava fezes com sangue e 38%, vômitos. Dos entrevistados, 50% ficaram internados por até três dias. Dois morreram.
Tanto o antiinflamatório quanto o ácido acetilsalicílico
podem agredir a mucosa gástrica e intestinal. ‘‘Muitas pessoas não manifestam sintomas e continuam tomando o remédio’’, disse o médico. Na pesquisa foram entrevistados 316 pacientes atendidos em prontos-socorros e que fizeram endoscopia. A avaliação descartou pessoas com doenças graves já diagnosticadas.
Um dos fatos que mais chamaram a atenção de Chinzon foi
o desconhecimento da população: 20% não sabiam que os medicamentos usados eram antiinflamatórios ou continham ácido acetilsalicílico.
O professor titular de gastroenterologia da Universidade
Federal de São Paulo, Sender Jankiel Miszputen, confirma que é grande o número de pessoas com problemas provocados pelo uso incorreto dos antiinflamatórios. ‘‘Poucos sabem o risco que estão correndo’’, diz.
Miszputen explica que algumas inflamações podem chegar à
hemorragia gástrica ou intestinal. Isso ocorre porque parte desses medicamentos inibe a produção de uma enzima, a prostaglandina, essencial para a defesa da mucosa do estômago e do duodeno. A inibição ocorre não só quando o remédio é ingerido, mas também quando ele entra na circulação. Por essa razão, engana-se quem imagina que o medicamento injetável é isento de riscos.

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