Curitiba - Curitibanos têm muito mais medo da violência que as pessoas que moram no Rio de Janeiro e em Vitória, no Espírito Santo. Na capital paranaense, ao contrário de outras nove capitais brasileiras, pessoas com baixa renda sofrem muito mais temor da violência do que no resto do País, onde os mais abastados costumam ter mais medo.
É o que mostra o resultado de uma pesquisa nacional feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Realizado entre 13 e 17 de novembro deste ano, o trabalho abrangeu 92 municípios. Cerca de 4,5 mil pessoas responderam o questionário de 14 perguntas.
O sociólogo pesquisador da FGV, Alberto Carlos de Almeida, explica que o ''Índice do Medo'', como vem sendo chamada a pesquisa, não é um trabalho psicológico, para medir a fobia das pessoas e sim um componente social. ''A pesquisa mostra a visão que as pessoas têm do crime.'' O resultado não é dos mais animadores e mostra uma certa histeria coletiva. Os dados da pesquisa nacional foram divulgados há uma semana, mas só ontem a FGV divulgou detalhes sobre a capital do Paraná.
Numa pontuação de zero a 100 (quanto menor a pontuação, menos medo as pessoas sentem), Curitiba ficou com 61 pontos. A mesma pontuação, em alguns casos com diferença de apenas um ponto percentual para mais ou para menos, foi atribuída a São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte e Recife. Rio de Janeiro teve pontuação avaliada em 56 e Vitória (ES) em 53, o menor índice da pesquisa. Na média brasileira, a pontuação ficou em 48 e no Sul do País, 47. Ou seja: Curitiba tem mais medo que o Brasil e o Sul do País.
Um fenômeno que só foi percebido em Curitiba é que quanto mais baixa a escolaridade (e consequentemente a renda) da pessoa, mais medo ela sente. ''Curitiba é uma cidade dividida. O medo atinge o mais pobre, enquanto em outras cidades, o medo independe de escolaridade e classe social'', conclui o sociólogo.
Um dado do trabalho que surpreeendeu os pesquisadores foi o fato dos cariocas terem obtido pontuação bem menor do que os curitibanos no que diz respeito ao medo da violência. ''No Rio de Janeiro, as pessoas têm uma visão mais técnica, mais racional do medo que em Curitiba'', justifica Almeida. A pesquisa constatou ainda que as pessoas, em geral, têm a sensação de que a criminalidade aumentou em todo o Brasil (veja quadro).
Para Almeida a pesquisa pode ser usada pelas autoridades em segurança para melhorar a qualidade de vida das pessoas. ''Utilizando o índice, fica mais fácil adotar políticas públicas específicas para reduzir a criminalidade'', argumenta. O trabalho é inédito e a FGV pretende realizá-lo numa periodicidade de seis meses para fazer uma comparação.

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