Porto Alegre, 07 (AE) - A recuperação da lavoura de trigo aos níveis de 1987, quando o Brasil colheu 6,2 milhões de toneladas do produto, permitiria a geração de 280 mil empregos diretos e indiretos no País. O cálculo consta de um estudo elaborado pelo pesquisador Ivo Ambrosi, da Embrapa Trigo de Passo Fundo, e baseia-se na eliminação de postos de trabalho no setor de 1987 a 1995, ano em que a produção atingiu seu ponto mais baixo, de 1,5 milhão de toneladas.
De acordo com a pesquisa o número de empregos diretos e indiretos caiu de 361 mil para 91 mil no período, ao mesmo tempo em que a área plantada recuou de 3,4 milhões para 1 milhão de hectares. Em comparação com 1987, a safra de 1995 foi 4,6 milhões de toneladas menor, o que provocou uma perda de receita de R$ 734 milhões por parte dos produtores brasileiros. Este dinheiro, conforme o pesquisador, foi gasto fora do País com importações do produto. Somado ao que outros setores ligados à cadeia tritícola deixaram de faturar, a perda em relação a 1987 alcança R$ 1,29 bilhão, estima Ambrosi.
Entre esses segmentos ele relaciona as indústrias de máquinas e implementos, defensivos, fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, além da mão-de-obra direta. "Esse dinheiro poderia voltar a circular pela economia brasileira com a retomada da produção do trigo", diz o pesquisador.
Apesar do aumento da área plantada previsto para este ano em função da desvalorização cambial, Ambrosi entende que ainda é necessário ajustar questões "externas" à produção para recuperar sua competitividade. Ele aponta a tributação interna, os juros e a política de financiamento às importações que aumenta as vantagens do produto estrangeiro (prazo de até 420 dias para pagar e juros de 8% ao ano) como os principais entraves à lavoura nacional. Para o pesquisador, a taxa de câmbio também precisa ser "realista", porque embora a desvalorização do real iniba as compras externas, ela aumenta os custos dos insumos dos produtores nacionais. "O dólar ainda está sobrevalorizado, pois uma cotação entre R$ 1,50 e R$ 1,60 seria mais razoável", calcula.

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