Londres, 19 (AE-AP) - Idosos que gostam de comer fora, jogar cartas, vão ao cinema e realizam outras atividades sociais vivem uma média 2 anos e meio a mais do que as pessoas reclusas, revelou um estudo divulgado hoje (19) em Londres.
Especialistas em saúde geralmente recomendam aos anciões para que se mantenham ativos, mas o estudo sugere que simplesmente conviver com outras pessoas pode ser tão saudável como praticar exercícios.
Segundo peritos, o trabalho realizado por pesquisadores da Harvard University e publicado pelo British Medical Journal desta semana, é mais completo que estudos prévios porque compara tipos diferentes de atividades e conclui que os benefícios do convício social são equivalentes e independentes dos méritos do exercício físico.
"Há esperança para pessoas que não podem exercitar ou que nunca se exercitarão", disse Richard Suzman, diretor-associado para pesquisa comportamental e social do Instituto Nacional de Envelhecimento dos EUA, que não tem conexão com o estudo. "Ele mostra que há outras alternativas além dos exercícios", concluiu Suzman.
"É amplamente aceito que permanecer ativo é bom para as pessoas por causa do componente físico", afirma o professor-assistente Thomas Glass, da Escola de Saúde Pública de Harvard. "As atividades sociais que não envolvem quase nenhum esforço físico representam um papel mensurável em relação à duração da vida de uma pessoa", disse ele.
Glass e seus colegas analisaram 2.761 residentes com mais de 65 anos do asilo New Haven, Connecticut, por 13 anos, para ver como exercícios, atividades sociais e produtivas podem ser relacionados às suas chances de morrer durante o período do estudo.
Fatores que conhecidamente contribuem para uma vida mais longa, como saúde superior ou educação, não influenciaram significativamente os resultados, informaram os pesquisadores.
Entre as atividades físicas analisadas estavam caminhada, musculação, esportes ativos ou natação. Entre as atividades sociais, incluíam frequentar igrejas, restaurantes, eventos esportivos, além de viagens, jogos de cartas, bingo e participação em grupos sociais.
Entre aqueles que participavam de atividades sociais, os mais ativos tinham 19% menos chances de morrer durante o estudo do que os menos ativos, afirmou Glass. Os socialmente ativos viveram dois anos e meio a mais que os outros.
Com relação à aptidão física, os que se exercitavam com frequência, tinham 15% menos chance de morrer durante o estudo. Eles também viveram dois anos e meio a mais que aqueles que não realizavam nenhum tipo de exercício físico.
Já aqueles que estavam ocupados com atividades produtivas (tais como jardinagem, culinária, compras e trabalho comunitário), tinham 23% menos chances de morrer e viviam quatro anos a mais que aqueles que não se ocupavam.

mockup