São Paulo, 23 (AE) - Um estudo sobre "vantagens e desvantagens dos altos preços internacionais de petróleo", preparado pelo Ministério da Fazenda do México, mostra por que o país não pode negar-se a aumentar sua produção. A permanência dos altos preços no mercado internacional é contrária à economia mexicana, conclui o documento, que foi encaminhado à Câmara de Deputados. No estudo, o ministério explica que, do valor total das exportações mexicanas, 89% da receita são provenientes de produtos manufaturados e apenas 7% das vendas de petróleo e derivados. Ou seja, o México deixou de ser um país petrolífero para ser nação exportadora de produtos manufaturados, informa o documento.
O Ministério da Fazenda do México considera que, na atual situação conjuntural do país, existem mais desvantagens do que vantagens na manutenção de preços elevados do petróleo, pois significa menos exportações, menos crescimento econômico e menor geração de empregos. Outras desvantagens são o aumento das pressões inflacionárias, a instabilidade do mercado e o rompimento do contrato do setor de petróleo. O ministério explica ainda que o alto preço do petróleo pode prejudicar o crescimento econômico mundial, na medida em que ele gerará pressões inflacionárias, incidindo diretamente no comportamento da economia mundial.
Os países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), por exemplo, se veriam obrigados a desenhar políticas restritivas e a aumentar as suas taxas de juros, provocando uma desaceleração na economia mundial. Só isso seria suficientemente ruim para o México. Um menor crescimento na União Européia e nos Estados Unidos reduziria, com certeza, as exportações mexicanas e, ao mesmo tempo, o país enfrentaria taxas de juros mais elevadas, provocando incrementos consideráveis na sua dívida externa.
O documento explica ainda que o efeito positivo de maiores divisas captadas por meio das vendas externas de petróleo seria neutralizado com a menor disponibilidade de divisas devido à queda nas exportações de manufaturados (consequência da recessão mundial). Embora a União Européia disponha de mecanismos de defesa diante de pressões geradas com a elevação de preços de petróleo, a região não ignoraria o risco de uma desaceleração mundial por causa de políticas mais restritivas para enfrentar pressões inflacionárias em consequência desses aumentos descontrolados.
A questão agora é saber qual o patamar do preço do petróleo que provocaria uma recessão econômica internacional, porque, de fato, ninguém sabe hoje qual seria essa nível de cotação do cru. Em entrevista ao jornal "El Financiero", do México, o embaixador da União Européia, Manuel López Blanoco, declarou que
embora o atual momento não seja de crise iminente, será conveniente moderar as cotações do petróleo, por meio de maiores ofertas, do que esperar que a demanda o faça por meio de uma recessão econômica internacional.
Entre as vantagens citadas no documento estão a ampliação da arrecadação tributária, o que possibilitaria o incremento da disponibilidade de gasto e de redução do déficit público. Uma maior captação de divisas melhoraria ainda a balança comercial e daria maior estabilidade ao peso, a moeda mexicana, e afastaria as pressões sobre as taxas de juros.

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