Ter acesso à terra é uma abertura de mercado, que cria empregos e evita o êxodo rural. A constatação faz parte de um estudo que vem sendo elaborado por professores de universidades brasileiras, com o objetivo de revelar quais as transformações que surgem a partir da criação um assentamento. ‘‘Há, no mínimo, uma melhoria do nível de renda dos agricultores’’ afirma a socióloga Leonilde Medeiros, coordenadora da pesquisa ‘‘Impactos Regionais dos assentamentos rurais - dimensões econômicas, políticas e sociais’’. A política pode ser outro setor a sentir os ecos da reforma agrária: ‘‘É possível notar uma democratização estimulante nas regiões’’, acrescenta a socióloga.
Com financiamento da Finep, a pesquisa tem como foco Rio de Janeiro, Sergipe, São Paulo, Rio Grande do Sul, Acre e Mato Grosso. A coordenação geral está a cargo dos professores Leonilde Medeiros e Sergio Leite, do curso de pós-graduação de desenvolvimento da agricultura (CPDA) da Universidade Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que contam com a participação de equipes das universidades de cada Estado. A idéia de explorar o tema surgiu de observação: as relações internas dos assentamentos sempre foram foco da atenção de pesquisas, mas os impactos com o meio externo são ainda pouco conhecidos.
As hipóteses são muitas, que deverão ser confirmadas ou reforçadas durante o trabalho - estão previstos dois anos de estudo. Mas já existem fortes indícios. ‘‘Depois que ocorre o assentamento, há, no mínimo, uma melhoria do nível de renda dos agricultores’’, explica a professora e socióloga Leonilde Medeiros. De uma condição miserável, os agricultores, segundo uma pesquisa da FAO (Food Alimentation Organization), órgão vinculado à ONU, passam a ter uma renda mensal de dois a três salários mínimos. Um ganho baixo, mas que já cria uma diferença nas condições de sobrevivência.

mockup