Estudo mostra preocupação maior com a sustentabilidade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Ricardo Sabbag<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quase metade dos brasileiros (47%) dizem se preocupar mais com a sustentabilidade ambiental do que com benefícios materiais como mais emprego e menos inflação. O dado é da pesquisa ''Os Brasileiros Diante das Mudanças Climáticas - A Superação do Dilema Economia versus Meio Ambiente'', realizada pelo instituto de pesquisas de mercado e opinião pública Market Analysis.
O estudo entrevistou 802 pessoas de 18 a 69 anos em oito capitais. Mostra que o brasileiro assume preocupação moral, mas não financeira por danos ambientais. ''Esta preocupação revela uma opinião pública dividida ao meio, que alimenta a tensão entre o crescimento e o ambientalismo'', diz o diretor da Market Analysis, Fabián Echegaray.
O trabalho faz parte da pesquisa Barômetro Ambiental, reproduzido simultaneamente em outros 21 países. ''Detectamos no Brasil, no México e no Chile o mesmo senso de urgência da população, de que as medidas têm de ser tomadas a curto prazo, de que não se pode esperar anos sem se fazer nada''.
Echegaray concorda com o consenso entre ambientalistas de que proteção ambiental e desenvolvimento econômico não são conceitos antagônicos. De acordo com a pesquisa, 49% dos brasileiros acreditam que a economia sofreria desgastes caso o país tentasse cortar as emissões de gases poluentes. De outro lado, 44% questionam essa afirmação.
O brasileiro também acusa o empresariado de não tomar medidas suficientes para assegurar a preservação do meio ambiente (40,4%). Ao mesmo tempo, a maioria da população (63%) diz acreditar que quem polui deve contribuir para neutralizar o impacto ambiental, e que são os países ricos quem deve financiar essa mudança.
A população entrevistada em Curitiba exibe um perfil conservador. Os curitibanos são, depois dos recifenses, os que mais temem os efeitos de um ''ajuste ambiental'' na economia: 67% admitem que a economia do Brasil seria bastante prejudicada se o país tentasse cortar as emissões de gases poluentes.
Curitiba é, também, a cidade que apresenta maior proporção de ''críticos ambientalistas'': 33%. Críticos ambientalistas, segundo a classificação da pesquisa, são aqueles que priorizam o ambiente e a ecologia e têm uma avaliação negativa da atuação das empresas.


