Estudo mostra impacto da violência na saúde
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quarta-feira, 23 de abril de 2003
Agência Estado 
Brasília - Um estudo inédito da Fundação Oswaldo Cruz demonstra o impacto exercido pela violência nos anos que brasileiros deixam de viver. Pela pesquisa, intitulada Estudo da Carga Global de Doença no Brasil, vê-se que causas externas são responsáveis por 10% dos anos de vida perdidos pelos habitantes do País. ''É preciso que o sistema de saúde se prepare para atender vítimas de violência, de acidentes. O estudo mostra que o assunto é um grave problema de saúde pública'', afirma uma das coordenadoras do trabalho, a pesquisadora Joyce Schram.
O trabalho dividiu doenças e causas externas em três grandes grupos. O primeiro formado por doenças infecciosas e parasitárias, condições maternas e perinatais, deficiências nutricionais. O segundo grupo foi formado por doenças não-transmissíveis e o terceiro, por causas externas. Ao todo, foram 110 tópicos, chamados pelos pesquisadores de agravos. ''A pesquisa calcula não só os anos perdidos, mas também os anos vividos com incapacidade'', explica a pesquisadora. O item é de fundamental importância, diz Joyce, para se estabelecer prioridades de atendimento à saúde e prevenção das doenças.
Entre os países da América Latina, Chile, Uruguai e Argentina fizeram trabalhos com o mesmo método, desenvolvido na Universidade de Harvard. Os resultados completos serão apresentados hoje, em Brasília. A pesquisa demonstra, por exemplo, que o Nordeste é a região onde as pessoas mais perdem anos de vida por causa de mortes prematuras. Em todo o País, as causas de mortalidade apresentaram diferenças importantes. O primeiro grupo de doenças, por exemplo, foi bem mais importante nas regiões Norte e Nordeste. Já as doenças não-transmissíveis foram as causas mais frequentes no Sul e Sudeste.
Além da violência, dois aspectos chamaram a atenção da pesquisadora. A importância das doenças mentais fundamentalmente a depressão nos anos de vida com incapacidade dos brasileiros. E também o impacto provocado pela hepatite C. ''Trata-se de uma verdadeira bomba-relógio. Pacientes têm cirrose, depois câncer de fígado e entram na fila do transplante. Ou seja: implicam tratamento de alto custo e alta complexidade.''


