Um estudo realizado durante dois anos com 1003 pacientes do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio, que deram entrada no setor de emergência com dores no peito, mostrou que, em 50% dos casos em que efetivamente a pessoa estava sofrendo um infarto agudo do miocárdio ou uma crise de angina instável (pré-infarto), o eletrocardiograma deu resultado normal. A pesquisa, que será apresentada no American College Cardiology - o maior congresso de cardiologia do mundo, de 7 a 10 de março em New Orleans (EUA) - conclui que é necessário manter o paciente durante 12 horas em observação na unidade de dor torácica para zerar o risco de mandar para casa uma pessoa que está, na verdade, infartada.
‘‘Esse tipo de unidade permite que o paciente possa passar por todos os exames, sem a necessidade de internação numa unidade coronariana, que tem alto custo’’, diz o cardiologista Roberto Bassan, autor do estudo. Ele explica que, ao receber o paciente com dor no peito na emergência, os hospitais, em geral, providenciam o eletrocardiograma e, em caso de resultado normal, mandam a pessoa para casa, ou internam o doente até checar se está tudo bem.
Segundo Bassan, a dor no peito é uma das ocorrências mais comuns nos setores de emergência e, de acordo com dados americanos, apenas em 30% dos casos é causada por problemas de coração - na maioria das vezes trata-se de um distúrbio respiratório ou gástrico, ou de uma crise de ansiedade. O problema está no alto índice de erro do eletrocardiograma. Baseado apenas nesse exame, o médico pode mandar a metade de seus pacientes infartados de volta para casa. Não à toa, nos EUA, 20% das ações judiciais por erro médico em emergência são relativas ao mau diagnóstico do ataque do coração.
‘‘Apesar de não ser um exame conclusivo, o eletro é muito simples e, em metade dos casos, acusa o problema antes de ser necessário lançar mão de exames mais caros’’, defende Bassan. ‘‘Mas não pode ser o único procedimento: se o eletro não acusar nada, é preciso manter o paciente sob observação’’. - Segundo ele, o procedimento mais seguro é fazer novos eletrocardiogramas a cada três horas, combinados com exames de sangue que acusam a presença de uma enzima, liberada pelo coração quando o indivíduo está enfartando.
O cardiologista lembra que, nos Estados Unidos, o risco de erro quando se realiza apenas um eletro e um exame de enzimas ainda fica na casa dos 5% - e, no Brasil, ele estima que esteja em torno de 10%. A unidade de dor torácica, afirma o médico, é a única forma de reduzir o risco a zero, com baixo custo, um dado importante para um País que tem nas doenças cardiovasculares a principal causa de mortes.

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