Estudo mostra efeito escola na formação do aluno
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quarta-feira, 17 de outubro de 2001
Do Rio 
A escola tem um papel importante na formação do estudante e chega a elevar o desempenho do aluno em 13% nas redes pública e particular de ensino no Brasil. É o que mostra estudo da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, pela primeira vez, conseguiu medir o ''efeito escola'' excluindo a influência do nível socioeconômico das famílias.
Encomendado pelo Ministério da Educação, a pesquisa utilizou resultados do último Saeb (1999), um exame nacional aplicado a cada dois anos em alunos do ensino básico do País, e cruzou com dados sobre a situação socioeconômica das famílias.
''Tentamos reproduzir uma situação ideal, que é a de comparar o desempenho de gêmeos homozigotos que vivem com os pais, mas estudam em escolas diferentes'', afirma a pesquisadora Maria Eugênia Ferrão, professora visitante da ENCE e coordenadora do estudo.
A pesquisa revela ainda diferenças regionais importantes da influência que a escola tem no aluno. O Nordeste é a região onde o desempenho do aluno melhora mais por causa da sala de aula (17%). No Sudeste, a escola eleva as notas em 12% e no Sul, apenas em 7,6%. ''Isso mostra que o modelo adotado pelas escolas nordestinas pode estar funcionando melhor do que o das escolas do Sudeste. É um resultado surpreendente'', diz a pesquisadora.
Segundo Maria Eugênia, o estudo é importante porque confirma a relevância da educação formal e rejeita uma percepção que ficou muito popular entre os pesquisadores nos anos 90, que é a de que o grande diferenciador na performance do estudante era o meio social (e principalmente a família). ''Muitos estudiosos pensavam que a escola fazia pouca diferença. Agora, estudos no mundo todo mostram o contrário, e os governos estão correndo para tentar entender como podem melhorar as escolas.'' (A.E.)


