Rio- Além de proteger contra infecções, desenvolver o sistema imunológico e fortalecer o vínculo entre mãe e filho, a amamentação tem um importante e pouco conhecido benefício: prevenir o câncer. Esta é uma das conclusões de um painel de 22 especialistas de cinco continentes que, durante cinco anos, revisaram sete mil estudos e escreveram uma lista com 10 recomendações que reduzem o risco de desenvolver a doença, que já é a segunda causa de mortalidade no Brasil.

''A amamentação reduz o risco de obesidade, que é fator de risco principal para os tumores do trato digestivo e secundário para a maioria dos tipos de câncer'', disse o diretor-geral do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF), Geoffrey Cannon, que lançou hontem, no Congresso Internacional de Controle de Câncer, a tradução brasileira do relatório. ''É necessário enfatizar que não existe nenhum outro estudo global com bases científicas tão fortes'', afirmou ele. Embora já houvesse evidências de que a amamentação reduz o risco de a mãe desenvolver câncer de mama, Cannon lembrou que esta é a primeira vez que é relacionada à prevenção do câncer na vida adulta do bebê.

Segundo Cannon, o objetivo do estudo era chegar às recomendações, que servem de metas para a saúde pública e orientação pessoal para a adoção de hábitos mais saudáveis.

As evidências mostram que apenas uma pequena parcela dos cânceres é herdada. Os fatores ambientais são mais importantes. Uso de tabaco, exposição ao sol ou a produtos químicos, agentes infecciosos e medicamentos são aspectos importantes, assim como a adoção de hábitos saudáveis de alimentação, atividade física e controle do peso.

Nenhum estudo isolado prova que um determinado alimento pode provocar ou evitar câncer, mas o relatório divulgado ontem mostra que a adoção de alguns hábitos pode prevenir o surgimento de tumores, ou então, provocá-lo, afirma o relatório.

Entre os alimentos mais prejudiciais, está o consumo de sal ou açúcar em excesso, e de alimentos processados (conservados com nitratos e nitritos, defumados ou curados). Essas substâncias agem no organismo provocando inflamações que aumentam a absorção de substâncias cancerígenas.

Por outro lado, o consumo de pelo menos 600 gramas de verduras e frutas é um fator de proteção, porque esses alimentos possuem uma grande quantidade de fitoquímicos, compostos que dão cores a essas comidas e inibem o desenvolvimento de tumores.

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