A tecnologia utilizada no mapeamento de DNA pode aprimorar a prevenção da cárie. É o que mostra uma pesquisa feita na Universidade Norte do Paraná (Unopar). A tese de mestrado de Ana Lídia Soares Cota, com orientação da professora Regina Célia Poli Frederico, buscou explicar porque algumas crianças são mais suscetíveis a desenvolver cárie que outras e descobriu variantes de bactéria geneticamente mais patogênicas que as outras.

A cárie é doença infectocontagiosa e causada por vários fatores. Entre eles, fatores genéticos, como um sistema imunológico mais predisposto e o formato dos dentes, que se tem sulcos e fissuras mais profundas facilitam a retenção de alimentos, além da alimentação rica em açúcar e da má higienização da boca. Mas a grande 'vilã', ou a causa principal, é a bactéria Streptococcus mutans.

Em algumas fases da vida, segundo Regina, há 'janelas' em que a aquisição da bactéria causadora da cárie é mais fácil, e isso acontece principalmente na infância. Daí as recomendações para mães e cuidadores de bebês evitarem assoprar alimentos ou colocar a chupeta do bebê na boca para não transmitir a bactéria.

A prevenção da cárie depende do controle de todos esses fatores, e foi justamente isso que instigou as pesquisadoras, pois até em projetos em que a prevenção começa antes do aparecimento do primeiro dente há casos da doença. As cáries aparecem em menos de 10% das crianças, e pode acontecer por vários motivos: ''a gente se perguntava se estava sendo feita uma higienização correta em casa, se a dieta tinha muito doce, se essas crianças eram mais suscetíveis geneticamente ou se as bactérias, por algum motivo, eram diferentes''.

A opção foi estudar o genoma das bactérias presentes na boca de crianças que tinham cárie comparando com outras sem cárie e com outras que não participavam de um programa de controle. As crianças estudadas participavam do trabalho educativo-preventivo na Bebê Clínica da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Com o trabalho ''Análise genético-molecular de Streptococcus mutans em isolados de pré-escolares assistidos por um programa educativo-preventivo'', constatou-se que a bactéria era mais agressiva para o desenvolvimento da cárie.

O resultado desse estudo é mais uma ferramenta para prevenção da cárie, pois quando se identifica a presença desse tipo de bactéria, o controle dos outros fatores deve ser intensificado. A expectativa é que a pesquisa ajude autoridades de saúde pública a estabelecer novos procedimentos educativos e preventivos para o controle da cárie, que contribua para o trabalho dos profissionais, que terão novos subsídios para direcionar as orientações aos pais. E, estes vão saber se os filhos têm maior suscetibilidade à doença.

Ao ajudar a esclarecer o motivo pelo qual algumas crianças são mais propensas à cárie, Ana Lídia ganhou o 6º Prêmio Colgate de Odontologia Preventiva, um dos mais importantes do Brasil na área, na categoria ''Pós-graduação''. A Universidade de Campinas (Unicamp) ficou em segundo lugar e a terceira colocação foi para a Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais.

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